Recentemente, ao organizar minhas anotações sobre operações de ações, percebi algo que muitas pessoas ignoram — a taxa de troca. Para ser honesto, se você ainda está julgando se uma ação é barata ou cara apenas pelo preço, está enganando a si mesmo.



Vamos começar com o mais direto: a taxa de troca é a frequência de compra e venda de uma ação, refletindo o quão ativa ela é. Você pode entender assim: uma alta taxa de troca indica que a ação está sendo negociada frequentemente, mostrando que há muita atenção do mercado nela. Mas há um problema — uma alta taxa de troca nem sempre é boa, depende de em que nível ela aparece.

Percebi que muitas pessoas não entendem se suas ações estão baratas ou caras de verdade. Não é pelo preço atual, irmão. Uma ação de 70 reais com um índice P/L de apenas 10 vezes pode ser muito mais barata do que uma de 7 reais com P/L negativo. Para avaliar o valor real de uma ação, você precisa fazer algumas comparações horizontais: classificação do P/L no setor, classificação de lucro líquido, variação no número de acionistas, patrimônio líquido por ação, capacidade de dividendos. Ordenando esses indicadores, você consegue dar uma nota geral para suas ações.

Sobre o cálculo da taxa de troca, na verdade é bem simples: o volume negociado em um período dividido pelo número de ações em circulação, multiplicado por 100%, é a taxa de troca. Por exemplo, se uma ação negociou 10 milhões de ações em um mês e o capital circulante é de 20 milhões, a taxa de troca será de 50%.

Agora, vou falar sobre o que diferentes intervalos de taxa de troca representam. Ações com 1%-3% geralmente são muito paradas, sem interesse de instituições ou investidores especulativos, geralmente são ações de grande capital ou com temas pouco atraentes. De 3%-5%, indica que alguém começou a tentar montar uma posição, mas ainda não é muito ativo. De 5%-7%, fica interessante: os compradores e vendedores começam a discordar, e se o preço subir lentamente, provavelmente os grandes players estão acumulando silenciosamente.

Uma taxa de troca diária de 7%-10% é comum em ações de forte tendência, indicando que o mercado já está bastante atento. De 10%-15%, é ainda mais forte: os grandes players querem controlar, aumentando a força de acumulação. Quando acumulam bastante, o próximo passo é impulsionar a alta. De 15%-20%, a negociação fica mais ativa; se o preço estiver em baixa com volume, pode ser um sinal de início de movimento; mas se estiver em alta com volume e cair, é preciso cuidado.

Taxas de troca entre 20%-30% indicam uma luta intensa entre compradores e vendedores. Em baixa, pode ser que os grandes estejam acumulando agressivamente, atraindo investidores de varejo. Em alta, é sinal de que estão saindo, ou seja, estão distribuindo. Os grandes já aprenderam: não vendem tudo de uma vez, preferem dividir em pequenas ordens para reduzir custos e evitar que os investidores menores vendam junto.

De 30%-40%, só ações com temas muito atraentes aparecem, mas é difícil saber se os grandes estão acumulando ou distribuindo. De 40%-50%, o risco é extremo; essas ações são muito perigosas, a maioria não consegue segurar. Acima de 50%-60%, é uma situação de loucura total, com compradores e vendedores se acusando. Se isso acontecer na base do mercado, pode haver uma oportunidade se houver uma notícia muito positiva; mas se acontecer no topo, é quem lucrou na alta saindo, enquanto os novatos entram na fila.

De 60%-70%, já saiu do padrão normal, e de 80%-100%, quase todo o capital está sendo trocado, com emoções à flor da pele. Minha recomendação é: essas ações só para observar de longe, esperar que acalme.

Para identificar os grandes players, costumo olhar três aspectos. Primeiro, se uma ação tem baixa taxa de troca mas o preço sobe, indica que há uma operação de médio a longo prazo por parte de grandes investidores, o que dá mais continuidade e menor risco. Segundo, se a ação está em tendência de baixa com troca muito baixa, especialmente após uma fase de limpeza (washout), é um sinal de que o fundo pode estar próximo, atenção redobrada. Terceiro, não confie na ideia de que “quanto maior a troca, maior a alta do preço”, isso só vale quando o preço ainda está em fase de subida. Quando o preço já está alto, longe do custo de entrada dos grandes, alta troca pode indicar distribuição.

Na prática, alguns pontos importantes: troca abaixo de 3% é comum, sem grande interesse de fundos. De 3%-7%, a ação entra em uma fase relativamente ativa, deve-se ficar atento. De 7%-10%, é comum em ações fortes. De 10%-15%, se não estiver em máximas ou topo, indica que há grandes operadores em ação. Acima de 15%, se mantido próximo de regiões de alta liquidez, pode sinalizar potencial de alta forte, característica de ações com grandes fundos.

Também é importante acompanhar ações que mantêm troca elevada e preço em alta, pois isso mostra que os grandes estão aprofundando a posição, limpando os vendedores e elevando o custo médio de entrada, facilitando uma nova alta. Por outro lado, se após uma alta o volume e troca caírem, e o preço oscilar com o mercado, geralmente é sinal de que os fundos já estão presos e operando a longo prazo.

Situações de troca acelerada sem muita variação de preço também são valiosas de estudar, pois indicam que há uma troca de capitais em uma faixa pequena, muitas vezes combinada previamente. A alta troca no primeiro dia de uma ação nova é ótima, pois indica dispersão de ações e forte interesse de captação. Trocas constantes por vários dias, com alta de preço e desempenho superior ao mercado, também acontecem, mas os resultados podem variar bastante, exigindo análise de outros fatores.

Minha regra de operação é: volume em alta em baixa é um sinal de atenção; volume em alta em alta, geralmente, não entro; se a ação cai continuamente, não quero pegar “faca”. Quando gosto de uma ação, espero ela se estabilizar e entro pelo lado direito. Quando o momento pede, é melhor recuar, não lutar contra a tendência — respeito ao mercado e ao seu bolso.
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