Recentemente tenho acompanhado bastante a valorização do yuan, e para ser honesto, tem sido bastante interessante. Desde o final do ano passado, o yuan finalmente reverteu uma tendência de depreciação de três anos consecutivos, rompendo o marco psicológico de 7.0, e neste ano acelerou ainda mais, chegando a tocar 6.81, atingindo a maior alta em quase três anos.



A lógica por trás dessa valorização do yuan é bastante clara. A performance das exportações da China tem sido realmente resiliente, com o superávit comercial do ano passado atingindo um recorde histórico de cerca de 1,2 trilhão de dólares, um crescimento de 20% em relação ao ano anterior. Esse número já equivale ao PIB de uma das 20 maiores economias do mundo. Este ano, essa força ainda continua, com o PIB do primeiro trimestre crescendo 5,0% na comparação anual, acima das expectativas do mercado, revertendo o ponto mais baixo do final do ano passado.

Além dos fundamentos econômicos, o reequilíbrio dos ativos em yuan por parte de investidores estrangeiros também tem sido um fator impulsionador. O enorme superávit comercial aumenta a demanda por câmbio, aliado ao retorno do fluxo de capital transfronteiriço, o que elevou claramente a confiança no yuan. Apesar do índice do dólar também apresentar volatilidade, a valorização do yuan superou significativamente a queda do dólar, indicando que o verdadeiro motor vem do próprio mercado chinês.

No entanto, o Banco Central recentemente também tomou medidas para "esfriar" a valorização. Em fevereiro, reduziu a reserva de risco cambial, enviando um sinal claro de que não deseja uma valorização excessiva do câmbio. A curto prazo, o ritmo de valorização do yuan pode desacelerar um pouco, com uma faixa de oscilação entre 6.83 e 6.92, e até mesmo uma pequena correção não está descartada.

As grandes instituições internacionais continuam com uma visão relativamente otimista para o mercado. O Goldman Sachs mantém uma meta de 6.70 para 12 meses, acreditando que o yuan ainda está cerca de 22% subavaliado. O HSBC projeta uma meta de 6.75 para o final do ano. Mas isso não significa uma valorização contínua e sem interrupções; o mercado também vai acompanhar as políticas do Federal Reserve, os movimentos nas relações China-EUA e fatores sazonais.

Do ponto de vista de investimento, acho que atualmente há um suporte de tema para posicionar-se em yuan, especialmente para investidores com uma visão de longo prazo ou que desejam fazer hedge contra o dólar. Mas, no curto prazo, é improvável que o yuan dispare de uma vez só; uma estratégia de compras parceladas é mais segura. Acompanhar de perto a taxa de câmbio diária do Banco Central e os dados comerciais subsequentes será de grande ajuda para avaliar a tendência.

Falando sobre os fatores principais que influenciam a direção da valorização do yuan, na verdade, há alguns pontos centrais. Primeiro, a política monetária do Banco Central: afrouxamento tende a favorecer a valorização, enquanto aperto pode enfraquecer. Segundo, os dados econômicos da China, como PIB, PMI, CPI, todos devem ser observados. Depois, o movimento do dólar, pois a política do Federal Reserve costuma ser um fator decisivo. Por fim, não se pode esquecer da postura oficial em relação à taxa de câmbio; o yuan não é uma moeda livremente conversível como outras, e a orientação do Banco Central ainda é bastante evidente.

Ao revisar os últimos cinco anos, o yuan se valorizou bastante durante a pandemia, de 2020 a 2022, o dólar/yuán permaneceu na maior parte do tempo abaixo de 7. A partir de 2023 até 2025, houve uma trajetória de depreciação, que só foi revertida na segunda metade do ano passado. Agora, quanto tempo essa valorização do yuan pode durar ainda depende de se a economia chinesa continuará a emitir sinais positivos e se a confiança no dólar será restabelecida. Enquanto esses dois fatores não mudarem, o impulso de valorização do yuan ainda tem potencial para continuar.

A volatilidade do yuan offshore costuma ser maior do que a do yuan onshore, pois as negociações são mais livres e o fluxo de capital não é limitado. Até o começo de maio, o yuan offshore oscilou entre 6.82 e 6.95, já tendo se valorizado mais de 1400 pontos-base em relação ao início do ano, atingindo a maior alta em quase três anos. Essa tendência ainda é bastante relevante e merece atenção.
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