Recentemente tenho pensado em uma questão: por que tantas pessoas que fazem shorting perdem tudo de uma noite para a outra, chegando a duvidar da própria vida? A resposta geralmente é que elas encontraram uma situação de squeeze de alta.



Fazer short parece muito simples — apostar que o preço das ações vai cair, esperar recomprar para lucrar com a diferença. Mas, na prática, os riscos de fazer short são muito mais assustadores do que de fazer long. No máximo, quem compra na alta pode perder o valor investido, enquanto quem faz short pode perder um valor infinito multiplicado. E o squeeze de alta é justamente uma manifestação que leva esse risco ao extremo.

O que exatamente é o squeeze de alta? Simplificando, é o processo pelo qual os investidores vendidos a descoberto são forçados a sair do mercado. Quando uma ação tem uma proporção de posições vendidas muito alta e o preço sobe repentinamente, os shorters, para evitar perdas, são obrigados a recomprar suas posições. Essa compra adicional acaba empurrando o preço ainda mais para cima, criando um ciclo vicioso. Não é apenas uma alta normal, mas uma situação em que os investidores vendidos a descoberto são forçados a fechar suas posições um a um, levando o preço a subir de forma absurda em um curto período.

A minha lembrança mais marcante foi o caso da GME. Aquele fabricante de consoles de videogame tinha um preço que vinha caindo, e os fundos de hedge de Wall Street estavam colocando uma quantidade enorme de posições vendidas, chegando a mais de 140% do total de ações da empresa. Mas, então, os membros da comunidade se uniram para comprar as ações, e o preço disparou de 30 dólares para 483 dólares em apenas duas semanas. Os shorters, por falta de margem, foram forçados a recomprar, e dizem que tiveram perdas superiores a 5 bilhões de dólares. Isso é um típico caso de squeeze de alta — não porque os fundamentos da empresa melhoraram, mas porque os vendedores a descoberto foram expulsos do mercado de forma forçada.

Em contraste, o caso da Tesla é diferente. A empresa realmente saiu do vermelho e virou lucrativa, além de o setor de veículos elétricos ter explodido, fazendo o preço subir quase 20 vezes em dois anos. Mas o resultado também foi o mesmo — os shorters sofreram perdas enormes. A diferença é que um foi manipulado artificialmente para gerar o squeeze, enquanto o outro foi uma alta impulsionada por fundamentos reais.

Geralmente, o squeeze de alta não acontece do nada. Para que ele aconteça, alguns fatores precisam estar presentes ao mesmo tempo: uma proporção de posições vendidas muito alta, volume de negociação limitado, atenção extrema do mercado, além de uma notícia positiva ou uma entrada de capital de grandes investidores. Quando esses fatores se combinam, e o preço começa a subir rapidamente, fica fácil gerar um squeeze.

Se você quer fazer short, recomendo que se faça três perguntas antes: primeiro, qual é a perda máxima que posso suportar nessa posição? Segundo, se o preço se mover contra mim, tenho um ponto de stop claro? Terceiro, essa ação tem condições de gerar um squeeze? É especialmente importante ficar atento quando você perceber que a proporção de posições vendidas está alta, o volume de negociação aumenta repentinamente, e o preço rompe uma média móvel importante — isso indica que as probabilidades contra você já começaram a se consolidar. Nesse momento, a melhor estratégia geralmente não é resistir, mas reduzir a posição ou sair da operação. Quando o risco de perda aumenta, não é hora de esperar, mas de agir rapidamente.

Para lidar com o risco de squeeze, o mais importante é conseguir sair de forma segura quando o mercado se move contra você. Se uma ação já tem uma posição vendida próxima ou superior a 40-50% do float, mesmo que o preço continue caindo, eu recomendaria sair antecipadamente. Além disso, observar o RSI é útil: quando o RSI cai abaixo de 20, indica condição de sobrevenda, e há uma grande chance de reversão de tendência, sendo melhor sair logo.

Para fazer short com mais segurança e evitar ser engolido por um squeeze, a escolha do ativo é fundamental. Índices de mercado ou ações de grande peso são boas opções, pois possuem alta liquidez, dificultando posições vendidas excessivas. Quanto às ferramentas, no mercado de baixa, alugar ações para fazer short pode levar a problemas de recompra forçada. Nesse caso, usar contratos de CFD (contratos por diferença) é mais flexível. Os CFDs usam margem, permitindo ajustar o nível de alavancagem, possibilitando posições longas e curtas, além de não terem data de vencimento.

Algumas pessoas adotam uma estratégia equilibrada: compram ações para fazer long, enquanto fazem short no índice de mercado. Se a proporção for 1:1, basta que a ação suba mais que o índice ou caia menos que ele para obter lucro. Assim, participam das oportunidades específicas de ações e também se protegem contra riscos sistêmicos.

Um trader realmente maduro não entra de cabeça ao ver uma situação de squeeze, nem faz short cegamente ao perceber uma oportunidade de baixa. Ele primeiro avalia se a probabilidade de perda é razoável. O squeeze é assustador não só porque sobe rápido, mas porque, muitas vezes, transforma riscos controláveis em perdas assimétricas. Geralmente, ele não explode sem aviso prévio, mas ocorre quando há uma combinação de posições vendidas elevadas, baixa liquidez, emoções exacerbadas, além de uma notícia ou fluxo de capital que desencadeia o movimento.

Se você consegue avaliar bem as probabilidades antes de entrar, o squeeze de alta não será um “cisne negro” imprevisível, mas um risco que deve ser tratado com seriedade durante o trading. Lembre-se: você não precisa pegar cada queda, basta evitar posições que possam ser rapidamente expulsas do mercado por um squeeze.
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