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Recentemente tenho observado a trajetória do ouro nos últimos 20 anos e descobri alguns padrões bastante interessantes. Ao longo do último meio século, o ouro passou de 35 dólares em 1971 para mais de 5000 dólares atualmente, um aumento de 145 vezes, e por trás dessa alta há uma lógica de mercado mais profunda.
Fiz uma análise e percebi que o ouro passou por aproximadamente três grandes ciclos de alta. O primeiro foi de 1971 a 1980, quando, após o fim do padrão ouro, o preço do ouro subiu de 35 dólares direto para 850 dólares, um aumento de 24 vezes. Naquela época, ninguém confiava mais no dólar, preferindo acumular ouro. Depois, devido à crise do petróleo, instabilidade geopolítica, e com o Federal Reserve elevando agressivamente as taxas de juros em mais de 20%, o ouro despencou 80%, entrando então em um período de consolidação de cerca de 20 anos.
A segunda grande onda de alta foi de 2001 a 2011, quando o ouro subiu de 250 dólares para 1921 dólares, um aumento superior a 700%. Os fatores impulsionadores nesse período foram os ataques de 11 de setembro, a guerra ao terror nos EUA, a crise financeira de 2008 e o QE subsequente. Mas após a crise da dívida na Europa em 2011, o Fed encerrou o QE, e o ouro entrou em um mercado de baixa que durou 8 anos.
O mais interessante é o terceiro ciclo, que começou em 2019, com o ouro a 1200 dólares e atualmente ultrapassando 5000 dólares, com uma alta de mais de 150% nos últimos dois anos. Os fatores que impulsionaram essa alta incluem a desdolarização global, o novo ciclo de QE nos EUA, a guerra Rússia-Ucrânia, tensões no Oriente Médio, tarifas comerciais americanas e o enfraquecimento do dólar. Observando a evolução do ouro nesses 20 anos, percebe-se que cada ciclo de alta tem pontos de gatilho comuns.
Ao analisar cuidadosamente esses três ciclos, identifiquei um padrão: as altas sempre começam com uma crise de crédito combinada com políticas monetárias expansionistas. O fim do padrão ouro em 1971, as baixas taxas de juros de 2001, e a mudança para uma postura dovish com QE em 2018 seguem essa lógica. Os ciclos geralmente têm três fases: uma fase inicial de formação de fundo, uma fase intermediária de aceleração impulsionada por alguma crise, e uma fase final de especulação que leva ao superaquecimento.
O sinal de que a alta está chegando ao fim também é bastante claro: o início de políticas de aperto monetário e controle da inflação. Em 1980, com o aumento de juros, e em 2011, com o fim do QE, esses sinais apareceram. Mas desta vez, a situação é diferente: as dívidas globais estão em níveis altíssimos, e os bancos centrais não podem simplesmente elevar as taxas de juros como antes. Portanto, acredito que essa rodada de alta do ouro pode não terminar de forma limpa, podendo oscilar por anos em uma faixa de preço elevada, formando um “período de consolidação em níveis altos”. O verdadeiro sinal de fim só acontecerá quando surgir um sistema monetário global totalmente novo e mais confiável.
Investir em ouro é realmente vantajoso? Isso depende do que você compara com ele. Nos últimos 50 anos, o ouro valorizou 120 vezes, enquanto o índice Dow subiu 51 vezes, parecendo mais forte. Mas o problema é que a valorização do ouro não é constante. Entre 1980 e 2000, o ouro ficou entre 200 e 300 dólares, consolidando por 20 anos. Se você investiu nesse período, praticamente não teve retorno, além de perder oportunidades. Quantos de nós podemos esperar 20 anos para ver resultados?
Portanto, minha opinião é que o ouro é uma excelente ferramenta de investimento, mas é mais adequado para operações de swing trading durante ciclos de alta, e não para uma posse de longo prazo pura. Os ciclos de alta do ouro costumam vir acompanhados de crises macroeconômicas, enquanto os de baixa tendem a ser longos e de baixa intensidade. Acertar o ciclo certo pode gerar grandes lucros, enquanto errar pode significar ficar anos sem fazer nada. Além disso, por ser um recurso natural, o custo de extração aumenta com o tempo, então mesmo após uma correção, o preço mínimo tende a subir gradualmente. Essa é uma regra importante: ao operar, é preciso entender que uma queda não significa que o ouro vai virar lixo.
Quanto às formas de investir, o ouro físico é fácil de esconder, mas pouco líquido para negociar. Certificados de ouro e ETFs oferecem maior liquidez, embora com custos mais altos. Futuros e contratos por diferença (CFD) são mais indicados para operações de curto prazo. Os CFDs têm a vantagem de permitir negociações em horários flexíveis, com baixo capital inicial, sendo amigáveis para investidores pequenos e iniciantes, além de oferecerem alavancagem para ampliar ganhos, com possibilidade de posições longas e curtas. Algumas plataformas oferecem execução rápida e ferramentas de análise gráfica em tempo real, o que ajuda bastante na operação de swing.
Comparando ouro, ações e títulos, suas lógicas de retorno são bem diferentes. O ouro gera lucro com a variação de preço, as ações com o crescimento das empresas, e os títulos com os juros pagos. Em termos de dificuldade, os títulos são os mais simples, o ouro fica no meio, e as ações são as mais complexas. Mas, em termos de retorno, nos últimos 50 anos, o ouro foi o melhor, enquanto nos últimos 30 anos, as ações tiveram desempenho superior.
Minha sugestão de alocação é: durante fases de crescimento econômico, prefira ações; em recessões, prefira ouro. Uma estratégia mais segura é ajustar a proporção de ações, títulos e ouro de acordo com seu perfil de risco e objetivos de investimento. Quando a economia está forte, as empresas tendem a lucrar mais, e as ações sobem facilmente. Em tempos de crise, o ouro e os títulos de renda fixa tendem a preservar valor melhor.
No final das contas, o mercado é imprevisível e pode ser afetado por eventos políticos e econômicos de grande impacto, como a guerra Rússia-Ucrânia ou aumentos de inflação e juros. Se você possui uma carteira diversificada com ações, títulos e ouro, consegue mitigar parte da volatilidade, tornando seus investimentos mais estáveis. O ouro, nesse contexto, funciona como uma espécie de seguro.