Lembro-me de quando ouvi falar desta história pela primeira vez – nos anos 90. Marilyn vos Savant, mulher com um QI famoso, causou um grande alvoroço em torno do problema de Monty Hall. Foi algo incrível, porque praticamente todos pensavam que ela estava enganada.



O cenário é simples: três portas, atrás de uma há um carro, atrás das outras duas, cabras. Você escolhe uma porta, o anfitrião abre uma das restantes e mostra uma cabra. Agora, você tem a opção – ficar com a sua escolha ou trocar? A maioria das pessoas diria que as probabilidades são iguais. Mas Marilyn vos Savant disse algo completamente diferente: sempre troque.

E aqui começou a diversão. Ela recebeu mais de 10 mil cartas, quase 1000 delas de pessoas com doutoramentos. Quase todos diziam que ela tinha cometido o maior erro que já tinham visto. Alguns foram realmente implacáveis, sugerindo até que as mulheres simplesmente não entendem de matemática como os homens.

Mas aqui está o truque – Marilyn vos Savant tinha razão. Totalmente.

A matemática aqui é clara. Quando você escolhe uma porta inicialmente, tem 1/3 de chance de ganhar o carro e 2/3 de chance de escolher uma cabra. Agora, quando o anfitrião abre uma porta e mostra uma cabra, essa informação muda o jogo. Se você escolheu uma cabra no começo (o que é provável em 2 de 3 casos), trocar de porta garante o carro. Se você escolheu o carro de imediato, trocar não ajuda. Mas, como há maior probabilidade de que você tenha escolhido uma cabra, trocar é estatisticamente melhor.

Depois, tudo foi confirmado. MIT realizou simulações, MythBusters testaram experimentalmente. Todos chegaram à mesma conclusão – trocar dá a você 2/3 de chances de ganhar.

O que me fascina nesta história não é apenas a matemática em si. Ela mostra como a intuição pode nos enganar. A maioria das pessoas pensa que, após as portas serem abertas, as chances devem ser 50/50. Mas isso ignora o fato de que o anfitrião sabe onde está o carro. Esse conhecimento é fundamental.

Marilyn vos Savant, essa mulher genial, não se deixou abalar. Apesar de todos a atacarem, manteve-se firme na sua resposta. E, no final, ela estava certa. Essa é uma lição de que, às vezes, é preciso ter coragem de ir contra a maioria, mesmo que todos esses cientistas pensem diferente.

A história deste problema é, para mim, um lembrete de que lógica e matemática às vezes vão contra nossos instintos. E é exatamente por isso que às vezes vale a pena parar, refletir mais profundamente, em vez de confiar na primeira impressão.
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