Você conhece aquela sensação quando alguém que achávamos consolidado há décadas volta com um golpe de mestre? É exatamente o que aconteceu com Larry Ellison em setembro passado. Aos 81 anos, esse cara destronou Elon Musk para se tornar o homem mais rico do planeta. E não por pouco — sua fortuna explodiu em mais de 100 bilhões em um dia. Estamos falando de 393 bilhões contra 385 para Musk. Completamente louco.



O que realmente me intrigou foi como ele chegou lá. Ellison não herdou uma fortuna. Nascido em 1944 no Bronx, abandonado pela mãe aos 9 meses, criado pela tia em Chicago numa família sem recursos. Ele nem terminou os estudos — deixou a universidade após a morte da mãe adotiva. Mas, ao invés de reclamar, dirigiu até Berkeley, e depois foi parar na Ampex Corporation no início dos anos 70 como programador. Foi lá que participou de um projeto para a CIA: criar uma base de dados. Nada trivial.

Em 1977, com dois colegas, investiu 2000 dólares (1200 do próprio bolso) para fundar o que viria a ser a Oracle. A ideia era simples, mas brilhante: comercializar a tecnologia de bancos de dados. Não inventar, mas monetizar. E deu certo. A Oracle abriu capital em 1986 e se tornou indispensável. Durante quarenta anos, Ellison liderou a empresa com mão firme, ocupando quase todos os cargos de direção.

Mas aqui está o ponto interessante: a Oracle tinha ficado para trás em relação à Amazon AWS e Microsoft Azure no mercado de nuvem. Até que a IA generativa chegou. De repente, a demanda por infraestrutura de IA virou uma loucura, e quem possui exatamente o que é preciso? Oracle. Em setembro de 2025, a empresa anunciou contratos massivos: 300 bilhões de dólares em cinco anos com a OpenAI, além de outros acordos. O preço das ações disparou 40% em um dia — o maior ganho desde 1992. É isso, a “vingança tardia” de Ellison.

Seu filho David também não fica parado. Ele adquiriu a Paramount Global por 8 bilhões (6 financiados pela família). Enquanto o pai constrói seu império tecnológico, o filho expande-se em Hollywood. Duas gerações, dois setores, uma potência combinada impressionante.

Agora, o que realmente fascina as pessoas é sua vida privada. Em 2024, Larry Ellison casou-se discretamente com Jolin Zhu, uma mulher chinesa 47 anos mais jovem. A informação veio de um documento da Universidade de Michigan mencionando “Larry Ellison e sua esposa Jolin”. É seu quarto casamento. Alguém brincou dizendo que Ellison gosta de surfar e de relacionamentos amorosos com a mesma intensidade. E não é mentira.

Porque Ellison não é apenas um homem de negócios. É um verdadeiro aventureiro. Possui 98% da ilha de Lanai, no Havaí, várias vilas, um iate de classe mundial. Quase morreu surfando em 1992, mas isso não o deteve — ele se lançou sério na vela. Em 2013, sua equipe Oracle Team USA venceu a Copa América após uma virada espetacular. Chegou a fundar a SailGP em 2018, uma liga de catamarãs rápidos que atrai investidores como Anne Hathaway e Mbappé.

O tênis é a mesma coisa. Revitalizou o torneio de Indian Wells, transformando-o no “quinto Grand Slam”. E, ao contrário de muitos bilionários, Ellison mantém disciplina. Entre 1990 e 2000, treinava horas todos os dias, só bebendo água e chá verde. Aos 81 anos, parece vinte anos mais jovem que seus pares.

No campo político, apoia há muito o Partido Republicano. Em 2015, financiou Marco Rubio; em 2022, 15 milhões para Tim Scott. E em janeiro de 2025, apareceu na Casa Branca com Masayoshi Son e Sam Altman para anunciar uma rede de centros de dados de IA de 500 bilhões de dólares. É estratégia de negócios, mas também poder.

Na filantropia, assinou o “Giving Pledge” em 2010, prometendo doar 95% de sua fortuna. Mas, ao contrário de Gates e Buffett, permanece solitário. Doou 200 milhões para a USC para um centro de pesquisa sobre câncer, e recentemente anunciou redirecionar fundos para o Ellison Institute of Technology, com Oxford, para estudar saúde, agricultura e energia. Sua filantropia é muito pessoal, não coletiva.

Larry Ellison casou-se em 2024 e chegou ao topo das fortunas mundiais em 2025. É uma figura fascinante — obstinado, combativo, nunca disposto a fazer concessões. Partiu de um contrato da CIA, construiu um império de bancos de dados, e depois se posicionou perfeitamente na IA. Aos 81 anos, prova que a velha guarda do Vale do Silício ainda tem muito a surpreender. O trono dos bilionários muda de mãos com frequência, mas, pelo menos agora, Ellison mostrou que sabe permanecer relevante.
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