Tenho estado a observar o mercado de gás natural nos últimos anos e, na verdade, há muito a aprender sobre como tudo evoluiu. Recentemente, comecei a analisar o que aconteceu com os preços e por que tanta gente se arrepende de não ter operado nos momentos-chave.



Tudo começou com a invasão da Ucrânia em 2022, que disparou os preços do gás a níveis históricos. Mas o que aconteceu depois é o mais interessante. Durante 2023, os preços despencaram quase 73% desde os seus máximos, o que foi uma mudança brutal no mercado. Isso abriu oportunidades para quem entendia que investir em gás natural não significa apenas apostar na subida.

A razão pela qual o gás natural se tornou tão crítico nestes anos é bastante óbvia se pensares: é mais acessível que o petróleo, menos poluente que o carvão e é extraído com relativa facilidade. Entre 1973 e 2019, passou de representar 16% da energia mundial para 23%. Isso não é casualidade. À medida que crescemos como civilização, consumimos mais energia, e o gás natural tornou-se na opção preferida.

Agora, bem, os fundamentos do mercado são simples: oferta e procura. Mas há muitos fatores que movem a agulha. A temperatura, os níveis de inventário, a geopolítica, o crescimento económico... tudo influencia. O que muitos não veem é que investir em gás natural requer entender esses movimentos subjacentes, não apenas os preços em tempo real.

O que aconteceu em 2023 foi interessante. A Europa reduziu a sua procura quase 10% no primeiro semestre porque tinha inventários altos e as temperaturas foram favoráveis. A Ásia também mostrou fraqueza, embora a China tenha crescido um pouco. Isso relaxou os fundamentos do mercado de forma significativa. Os preços caíram para 2,73 dólares, mas isso não significava que o mercado estivesse morto. Na verdade, foi o momento perfeito para quem sabia como operar em curto.

Para 2024, todos esperavam mudanças. A projeção era que a procura global crescesse 1,9%, com a Ásia-Pacífico na liderança. A oferta também se expandiria, especialmente da Eurásia, Médio Oriente e Estados Unidos. O que a maioria não antecipou foi como a volatilidade continuaria a ser o fator dominante. Esperava-se que os preços subissem entre 20% e 30%, mas a realidade foi mais complexa.

Aqui é onde muitos cometem o erro de tentar investir em gás natural de forma direta. A volatilidade é brutal. Mas há alternativas mais inteligentes. Operar com CFD permite aceder a esses movimentos sem possuir o ativo fisicamente. A alavancagem amplifica tanto ganhos como perdas, por isso é preciso ter cuidado.

O que eu recomendaria é olhar para as ações de produtores como Exxon Mobil e Chevron. Estas empresas tiveram rendimentos de 65% e 27%, respetivamente, desde 2022, enquanto o gás spot caiu 27%. As ações são menos voláteis que a matéria-prima pura, o que é mais sensato para a maioria dos investidores.

Se decides operar com CFD, precisas entender os parâmetros: margem inicial, margem de manutenção, alavancagem. Um contrato padrão de gás natural são 10.000 MMBtu. Se requer 10% de margem inicial e o preço médio é 7,11 dólares, então precisas de 7.114 dólares na tua conta para controlar 71.140 dólares de exposição. Isso é uma alavancagem de 10X. Cada movimento mínimo de 0,001 dólares equivale a 10 dólares de ganho ou perda por contrato.

O cálculo de ganhos é direto: multiplicas a variação de preço por 1000 para levá-lo a pontos, depois pela flutuação e pelo tamanho da tua posição. Se vendes a descoberto a 7,11 e compras a 6,99, ganhas 1.240 dólares num movimento de 1,74%. Isso representa um retorno de 17,4% sobre o teu margem inicial, graças à alavancagem.

Mas aqui vem o mais importante: investir em gás natural com CFD é arriscado. A volatilidade pode ser brutal. Já vi contas liquidadas porque os traders não respeitavam o stop loss. A minha regra é simples: nunca arrisques mais de 3-5% do teu capital por operação. Usa ordens de stop loss e take profit. A relação benefício-risco deve ser pelo menos 1,5:1.

As vantagens deste mercado são claras: é muito líquido, permite diversificar além de ações tradicionais, e a alavancagem multiplica os teus ganhos. As desvantagens também: a volatilidade é extrema, a procura é sensível a ciclos económicos, e fatores externos como o clima ou eventos geopolíticos podem mudar tudo de um dia para o outro.

O meu conselho, após ver como tudo evoluiu, é: não tenta antecipar o mercado. Observa os sinais, respeita o teu plano de risco, e lembra-te que investir em gás natural é mais uma questão de disciplina do que de sorte. Os que ganharam dinheiro nestes anos foram os que entenderam que o risco deve ser gerido antes de abrir qualquer posição.
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