Recentemente, tenho observado a tendência do iene há algum tempo e percebi que esta recente depreciação do iene tem sido bastante acentuada. O dólar americano em relação ao iene passou de cerca de 158 no início do ano, e agora oscila perto de 159, chegando a quase tocar 160, enquanto a taxa de câmbio efetiva real atingiu uma mínima de quase 53 anos. Honestamente, as razões por trás disso são muito mais complexas do que parecem à primeira vista.



Vamos começar pelo mais direto — a diferença de juros entre os EUA e o Japão. As taxas de juros nos EUA são altas, enquanto no Japão são baixas, o que leva todos a tomarem empréstimos em ienes para investir em ativos denominados em dólares, com operações de arbitragem frequentes, pressionando continuamente a venda de ienes. Apesar do Banco do Japão estar aumentando as taxas de juros, a velocidade não consegue acompanhar o ritmo dos EUA. Além disso, o novo governo japonês lançou um estímulo fiscal em grande escala, aumentando a emissão de dívida, o que preocupa o mercado com riscos fiscais e, por sua vez, pressiona ainda mais o iene para baixo.

Outro fator que não pode ser ignorado é a situação no Oriente Médio. O Japão depende fortemente da importação de petróleo do Oriente Médio, e o bloqueio do Estreito de Hormuz ameaça diretamente a segurança energética. Com os preços do petróleo elevados, os custos de importação aumentam, ampliando o déficit comercial. Isso também faz com que o Banco do Japão seja mais cauteloso ao elevar as taxas de juros, com receio de prejudicar a recuperação econômica.

Falando sobre a política do banco central, essa é realmente a peça central que determina a direção do iene. Desde o aumento de juros para 0,5% em janeiro do ano passado, o Banco do Japão permaneceu inerte por mais de seis meses, até que, em dezembro, elevou para 0,75%, atingindo um máximo de 30 anos. O mercado inicialmente esperava que, em abril, os juros fossem subir para 1,0%, mas os conflitos no Oriente Médio interromperam esse ritmo. No entanto, de acordo com as últimas previsões, junho já se tornou a próxima janela de aumento de juros, com a probabilidade de um aumento em junho subindo para 76%.

Vamos ver o que dizem as instituições financeiras. O JPMorgan é o mais pessimista, acreditando que o iene pode cair até 164 até o final do ano. O Banco de França também prevê uma queda para 160 até o final do ano. A lógica deles é semelhante — o ambiente macroeconômico global ainda favorece o sentimento de risco, o que mantém as operações de arbitragem, enquanto o Banco do Japão permanece cauteloso, e o Federal Reserve pode ser mais hawkish do que o esperado.

No curto prazo, o dólar em relação ao iene deve oscilar entre 152 e 158. Se realmente despencar até 160, as autoridades japonesas podem intervir, mas essas medidas geralmente servem apenas para ganhar tempo, sendo difícil reverter a tendência de forma definitiva.

Para que o iene realmente pare de cair, ainda depende do desempenho interno do Japão. É preciso que a economia mostre sinais claros de crescimento, que o ciclo virtuoso de salários e preços se estabilize, e que a força do iene seja realmente sustentada. Atualmente, os fatores de diferencial de juros, política e o sentimento global ainda não são favoráveis ao iene. Se você tem planos de viajar ou consumir no Japão, pode aproveitar para comprar aos poucos em momentos de alta; se deseja lucrar com as oscilações cambiais, é importante estudar bem essas variáveis e fazer uma gestão de risco adequada.
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