Recentemente, tenho observado um fenômeno bastante preocupante, que por trás das oscilações nos preços internacionais do petróleo, na verdade reflete pressões mais profundas na economia global.



No início deste mês, o WTI atingiu vários dias consecutivos acima de 100 dólares, com um sentimento de alta no mercado. Mas o que realmente preocupa não é quanto o preço do petróleo sobe, e sim o "efeito de segunda ordem" que está começando a se manifestar com o alto preço do petróleo. A inflação ao consumidor dos EUA em abril subiu 3,8% em relação ao ano anterior, atingindo uma nova máxima desde o ano passado; o índice de preços ao produtor (PPI) acelerou para 6%, com oito meses consecutivos de aumento mês a mês. Isso significa que a pressão inflacionária se espalhou dos preços de energia para todo o sistema de produção, e a inflação no setor de serviços também atingiu uma máxima de quatro anos.

Diante dessa situação, o mercado começou a reavaliar a direção da política do Federal Reserve. Antes, todos apostavam na redução das taxas de juros, mas agora há uma probabilidade de 50% de que o Fed aumente as taxas ainda neste ano. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA reagiram, com o rendimento de 30 anos atingindo 5%, o que gerou preocupações sobre riscos financeiros no mercado.

No âmbito geopolítico, também há riscos ocultos. As negociações entre EUA e Irã estão emperradas, enquanto os estoques globais de petróleo estão caindo rapidamente. O JPMorgan prevê que os estoques comerciais de petróleo dos países desenvolvidos podem atingir seus limites já no início de junho. Se o bloqueio continuar até junho, os mecanismos que normalmente amortecem o impacto do preço do petróleo podem começar a falhar. Uma vez que a volatilidade nos preços do petróleo se propague para o crescimento salarial e as expectativas de inflação, o Federal Reserve pode ser forçado a aumentar as taxas de juros.

Do ponto de vista técnico, o gráfico diário do WTI mostra que o petróleo tem se mantido acima de 100 dólares de forma consistente. Para que essa tendência continue no curto prazo, é preciso ficar atento à possibilidade de uma nova onda de alta que desafie os 108 ou até 115 dólares. Os dias 26 de maio e 10 de junho são especialmente importantes para monitorar.

Honestamente, o atual cenário do preço internacional do petróleo está em uma configuração de fácil alta e difícil queda, e o mercado ainda não parece ter refletido totalmente os riscos de alta potencial. Se a situação entre EUA e Irã não evoluir de forma clara até junho, a volatilidade nos preços do petróleo pode se intensificar ainda mais, o que terá um impacto significativo na economia global.
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