Recentemente, voltei a ver pessoas a perder tudo devido a chamadas de margem, o que me fez lembrar o incidente de Bill Hwang que abalou Wall Street em 2021. Este tipo de pessoa perdeu 20 mil milhões de dólares em apenas dois dias, tornando-se uma das pessoas que mais rapidamente perderam dinheiro na história recente. Muitas pessoas só sabem que ele "foi liquidado", mas a verdadeira questão é — quanto exatamente perdeu e como aconteceu?



Falando de chamadas de margem, muitas pessoas não entendem realmente o que é isso. Simplificando, a margem é como um empréstimo hipotecário: você coloca uma parte do dinheiro, e a corretora empresta o restante para comprar ações. Parece bom, mas o problema surge quando o preço das ações cai, e você precisa de mais garantias. Quando você não tem dinheiro suficiente para cobrir, a corretora força a venda das suas ações — isso é chamado de liquidação, ou seja, uma chamada de margem.

Vou dar um exemplo prático. Suponha que você esteja otimista com as ações da Apple, que estão a 150 dólares cada, mas você só tem 50 dólares. A corretora empresta-lhe 100 dólares, permitindo-lhe comprar uma ação. Se o preço subir para 160 dólares, você vende, paga a corretora os 100 dólares mais juros, e fica com o lucro, que é uma subida de 19%, muito superior ao aumento de 6,7% do próprio Apple. Essa é a atratividade da margem — mas também o seu maior perigo.

Por outro lado, se o preço cair para 78 dólares, a corretora exigirá que você adicione mais garantias. No mercado de ações de Taiwan, por exemplo, quando a taxa de manutenção da margem fica abaixo de 130%, a corretora faz uma chamada de margem. Se você não tiver dinheiro para cobrir, ela vende suas ações automaticamente — isso é uma liquidação forçada. Do ponto de vista do investidor, isso é uma chamada de margem, ou seja, uma liquidação. Mas quanto se perde numa chamada de margem? Depende da queda do preço das ações e do seu nível de alavancagem.

Voltando à história de Bill Hwang. Ele é um gestor de fundos de private equity, com uma estratégia simples — escolher boas empresas e usar muita alavancagem para ampliar os lucros. Essa estratégia permitiu que seu patrimônio crescesse de 220 milhões de dólares para 20 mil milhões em 10 anos. Mas a maior ameaça do alto nível de alavancagem é um evento de cisne negro. Com a volatilidade do mercado em 2021, suas posições começaram a oscilar, e as corretoras, para se protegerem, liquidaram suas posições forçadamente. O problema é que ele tinha uma quantidade enorme de ações, e o mercado não tinha compradores suficientes para absorver tudo, levando a uma queda acentuada no preço das ações, desencadeando um efeito dominó de chamadas de margem.

Isso não só afetou suas ações com desempenho ruim, mas também forçou a liquidação de ações que eram relativamente estáveis, para manter as garantias. No final, todas as ações que ele possuía caíram de valor em pouco tempo. É por isso que as chamadas de margem são tão assustadoras — uma vez iniciadas, como um efeito dominó, tornam-se difíceis de parar.

Qual é o impacto de uma chamada de margem no preço das ações? Primeiro, quando muitas posições alavancadas são liquidadas forçadamente, o preço das ações tende a despencar. As corretoras não se preocupam com o sentimento dos investidores; querem recuperar o dinheiro rapidamente, vendendo ao menor preço possível, o que faz o preço das ações cair bem abaixo do valor justo. Isso provoca uma nova onda de chamadas de margem, levando a uma queda contínua do preço. Em segundo lugar, após a liquidação, os papéis ficam dispersos. Os grandes acionistas e investidores de longo prazo perdem suas posições, que acabam nas mãos de investidores de varejo. Estes, muitas vezes, agem de forma curta-sighted, comprando e vendendo com base na volatilidade, o que faz com que grandes fundos hesitem em entrar, e as ações continuem a cair.

Portanto, quanto se perde numa chamada de margem? A resposta é: depende de quanto você usou de alavancagem, de quanto o preço caiu e da liquidez do mercado. O caso de Bill Hwang nos ensina que, mesmo sendo uma grande figura de Wall Street, usar alavancagem demais pode levar a uma lição dura do mercado.

Como usar a margem de forma inteligente sem correr o risco de liquidação? Primeiro, se você acredita numa empresa, mas tem capital limitado, pode comprar aos poucos usando margem, assim, se o preço continuar a cair, ainda terá recursos para reforçar sua posição. Segundo, escolha ações com alta liquidez, com grande capitalização, pois, se um grande investidor for liquidado, o impacto no preço será mais controlado. Terceiro, calcule bem o custo dos juros da margem. Algumas ações quase não têm volatilidade, e o dividendo anual não cobre os juros, tornando o investimento sem sentido. Quarto, se o preço estiver numa zona de resistência e não conseguir ultrapassá-la, é melhor realizar lucros e vender, pois ainda terá que pagar juros. Se o preço romper o suporte, é difícil uma recuperação rápida, e o melhor é cortar perdas imediatamente.

A alavancagem é uma faca de dois gumes. Usada corretamente, acelera a acumulação de riqueza; mal utilizada, pode fazer as perdas acontecerem rapidamente. Comprar ações com margem é uma estratégia de alto risco, e o risco de chamada de margem e liquidação forçada está sempre presente. Antes de investir, é fundamental fazer uma análise cuidadosa, pois, caso contrário, estará apenas apostando seu dinheiro no mercado — o que não é investimento, é jogo de azar.
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