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O ciclo do BTC falhou? Ou foi apenas 'suavizado' — Julgamento de meio de 2026
Depois do fechamento do mercado em 29 de maio, o Bitcoin fechou perto de 73.000 dólares, com uma valorização de cerca de 8% desde o início do ano. Essa performance é relativamente mediana entre todos os "ativos de risco" — o Nasdaq subiu 12% no mesmo período, o ouro 18%, e o S&P 500 10%. Se voltarmos a um ano atrás, todos acharíamos impossível que "o aumento do BTC estivesse atrás do ouro"; mas em 2026, isso já aconteceu.
Há uma voz cada vez mais forte no mercado — a teoria de que o "ciclo do Bitcoin falhou". O núcleo dessa teoria é: nas três últimas fases (2013, 2017, 2021), os ciclos do BTC sempre tiveram uma "onda de alta principal" após 12-18 meses do evento de halving, mas após o quarto halving (abril de 2024), essa regularidade já se desfez. Segundo a "teoria do ciclo tradicional", o BTC deveria atingir o pico entre o final de 2025 e o primeiro semestre de 2026 (150 a 200 mil dólares), mas o movimento real foi uma alta até 120 mil dólares em dezembro de 2024, seguido de consolidação, permanecendo perto de 70 mil dólares em maio de 2026.
Isso é um ciclo falho? Ou apenas um ciclo "alongado"? Qual é o mecanismo por trás disso? Este artigo quer esclarecer essa questão. Porque essa avaliação determina a estratégia central de alocação de ativos de criptomoedas para os próximos 12-24 meses — se o ciclo ainda existe, apenas atrasado, então a resposta de "reduzir ou aumentar posições" é completamente diferente.
Qual foi a lógica das três fases anteriores?
Primeiro, vamos esclarecer a lógica dessas três fases passadas. O Bitcoin reduz sua recompensa de bloco pela metade a cada quatro anos (halving), e o mercado geralmente acredita que o halving reduz a oferta e impulsiona o preço. Essa é a explicação superficial. O mecanismo real é mais complexo.
Primeira fase, 2013: BTC de 13 dólares para 1100 dólares, com a onda de alta principal ocorrendo antes e depois do halving de novembro. A força motriz real foi o crescimento de exchanges centralizadas como Mt.Gox + entrada de mineradores chineses + o reconhecimento inicial dos investidores de varejo sobre o BTC. O "halving" foi apenas um evento desencadeador, a verdadeira força foi a explosão do setor do zero ao um.
Segunda fase, 2017: BTC de 1100 para 19.500 dólares, com a onda de alta após o halving de julho de 2016, 12-18 meses depois. A força motriz real foi a febre de ICOs + o crescimento do Ethereum + o reconhecimento global de investidores de varejo sobre criptoativos. O "halving" foi gatilho, a força principal foi a expansão de casos de uso (de BTC puro para contratos inteligentes + altcoins).
Terceira fase, 2021: BTC de 19.500 para 69.000 dólares, com a onda de alta após o halving de maio de 2020, 12-18 meses depois. A força real foi o estímulo monetário global pós-pandemia + entrada de instituições (MicroStrategy, Tesla) + narrativas como DeFi, NFTs + expectativa de depreciação do dólar. O "halving" foi gatilho, a força principal foi liquidez macro + expansão institucional.
Vendo essas três fases juntas, uma coisa importante fica clara — o que chamamos de "ciclo de halving" é apenas uma regularidade superficial; o que realmente impulsiona o preço do BTC é a "nova demanda que surge a cada quatro anos". A primeira fase foi CEX, a segunda ICO, a terceira instituições + DeFi. Cada fase trouxe uma nova leva de compradores incrementais.
Então, qual será essa nova demanda na rodada de 2024-2026? Essa é a questão central.
Quem são os novos compradores nesta rodada: ETFs e tesourarias corporativas
Para 2024-2026, os principais novos compradores de BTC são dois: ETFs de spot e tesourarias corporativas.
A linha dos ETFs de spot é muito clara. Em 11 de janeiro de 2024, a SEC aprovou 11 ETFs de BTC de spot, e até o final de maio de 2026, o fluxo líquido total de BTC nesses ETFs nos EUA ultrapassou 150 bilhões de dólares, com quase 1,3 milhão de BTC em posse (cerca de 6,5% do total circulante). Trata-se de um fundo de capital sem precedentes — nunca antes uma ferramenta financeira tradicional tinha absorvido tanto BTC.
Esses compradores de ETFs têm algumas características.
Primeiro, são muito estáveis — segundo dados internos da BlackRock, mais de 60% dos clientes do IBIT são fundos de pensão, seguradoras, escritórios familiares e grandes instituições, com baixa rotatividade de capital.
Segundo, são quase insensíveis às emoções — a maior parte do capital de ETFs entra automaticamente por alocação periódica, sem ajustes bruscos por volatilidade de preço.
Terceiro, seu volume continua crescendo — no primeiro trimestre de 2026, o fluxo líquido mensal ainda ultrapassa 20 bilhões de dólares, com ritmo semelhante a 2024-2025.
As tesourarias corporativas representam outra linha. Até maio de 2026, mais de 200 empresas listadas globalmente divulgaram possuir BTC como parte de suas tesourarias, totalizando mais de 800 mil BTC (cerca de 4% do total circulante). Entre elas, a MicroStrategy (agora chamada Strategy) possui mais de 600 mil BTC, com custo médio abaixo de 40 mil dólares por BTC, sendo a maior participante dessa linha. Empresas como Metaplanet no Japão, Méliuz no Brasil, Tezzion em Hong Kong, na China, estão imitando essa estratégia de usar BTC como proteção contra a depreciação da moeda fiduciária.
A soma dessas duas categorias de compradores já ultrapassa 10% do total circulante de BTC, e continuam acumulando mensalmente. Curiosamente, esse "crescimento constante" tem desacelerado o ritmo de valorização do BTC — porque esses novos compradores entram de forma muito estável, lenta e institucionalizada, sem a explosão de mercado de 2017 ou 2021, com grande entrada de varejo em curto prazo.
A lógica do "suavização do ciclo"
Essa é a maior diferença entre essa rodada do ciclo do BTC e as anteriores — o ciclo foi "suavizado".
Nas três fases anteriores, o mercado era "movido por varejo". Os investidores de varejo são emocionais, de curto prazo, com alta alavancagem e tendência a seguir o hype. Uma fase começava com "FOMO" (medo de perder) e terminava com "venda de pânico", com retrações de mais de 50% e recuperações de mais de 200%. Essa estrutura naturalmente criava alternância entre grandes altas e grandes baixas.
Nessa rodada, há uma combinação de "fundos institucionais + varejo". Os fundos institucionais representam 30-40% do mercado (ETFs + tesourarias + ações de empresas listadas indiretamente), com características opostas às de varejo: baixa alavancagem, visão de longo prazo, investimentos periódicos. Esses fundos, uma vez entrados, não saem rapidamente — a menos que ocorra uma crise financeira extrema (como uma crise de 2008).
Essa estrutura de mercado, com "dinheiro de longo prazo + curto prazo", na essência, transforma o BTC de um "commodity" em um "ativo financeiro". Os preços de commodities dependem de oferta e demanda, enquanto os de ativos financeiros dependem de avaliação e liquidez. A volatilidade de avaliação e liquidez é muito menor do que a de oferta e demanda pura. Por isso, essa rodada do BTC parece "menos explosiva" — ela já amadureceu a ponto de não precisar mais de uma valorização louca como em 2017.
Isso não é ruim. A redução da volatilidade significa que o BTC, em uma carteira financeira tradicional, tem uma "relação risco-retorno" (Sharpe ratio) realmente melhorada. Para investidores de longo prazo, "crescer lentamente, mas cair pouco" é um sinal de maturidade.
A questão do Federal Reserve
No final de maio, as expectativas para a reunião do FOMC de junho já estão divididas. O CME FedWatch mostra cerca de 45% de chance de corte de 25 pontos-base em junho, e cerca de 50% de chance de manter a taxa. Essa quase divisão de probabilidades é rara nos últimos seis meses — normalmente, o mercado converge para uma direção clara uma ou duas semanas antes da reunião.
A divisão ocorre por causa de dados econômicos conflitantes. Por um lado, a inflação do núcleo PCE de abril subiu para 2,9% (acima da meta de 2%), com tarifas elevando o risco de inflação de commodities; por outro, o emprego não agrícola de abril cresceu apenas 125 mil, muito abaixo do esperado, e a taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,3%. De um lado, há pressão inflacionária; do outro, fraqueza no mercado de trabalho. A situação de Powell é mais difícil do que em 2024.
Esse ambiente macroeconômico "binário" é neutro ou levemente positivo para o BTC. Se o Fed cortar juros em junho, a liquidez mais frouxa impulsionará ativos de risco, incluindo o BTC. Se mantiver a taxa, mas adotar uma postura dovish, as expectativas de um corte tardio continuarão apoiando o preço. A única situação desfavorável seria uma inflação descontrolada que obrigasse o Fed a reaumentar juros, mas essa probabilidade é baixa atualmente.
Outro fator importante são as tarifas comerciais. A política de tarifas recíprocas do governo Trump, que começou a oscilar entre 2025, com aumentos, reduções e adiamentos, tem impacto grande no sentimento do mercado. O ponto de inflexão pode ser entre junho e julho — se as negociações entre EUA e China avançarem ou fracassarem, as expectativas de inflação e crescimento global serão reavaliadas, e o BTC também oscilará.
A "diferenciação" das altcoins
Outro aspecto marcante dessa rodada é que a "temporada de altcoins" (excluindo BTC, ETH, SOL) praticamente não acontecerá mais.
Nas fases anteriores, havia um padrão claro: após o pico do BTC, o fluxo de capital passava para ETH, depois para altcoins principais (XRP, ADA, DOT), e por fim para altcoins de menor capitalização. Essa "queda em cascata" ocorreu em 2017 e 2021, com quase todas as moedas multiplicando por dezenas de vezes.
Na rodada de 2024-2026, esse efeito de cascata não se repete. O fluxo de capital entra nos ETFs de BTC, mas pouco sai para altcoins. Dois motivos: primeiro, o "alocamento de criptomoedas" de fundos institucionais é majoritariamente em BTC e ETH (com pouco SOL), sem interesse em altcoins de menor capitalização; segundo, a oferta de altcoins cresceu de alguns milhares em 2017 para milhões em 2026 (incluindo memecoins), e a diluição torna quase impossível uma valorização geral do mercado.
Essa rodada substitui a "temporada de altcoins" por uma "rotação de narrativas". Criptomoedas de IA (Bittensor, Render), DePIN, L2, RWA, memecoins — cada uma tem seu ciclo de alta, mas nenhuma consegue impulsionar o mercado como um todo. Isso indica maturidade do ciclo — o mercado não sobe ou desce de forma sincronizada, mas se diferencia com base nos fundamentos.
Esse padrão é favorável para investidores de longo prazo. Obriga a pesquisa de fundamentos, modelos de negócio e tokenomics, ao invés de apostar na sorte. Mas é desfavorável para traders de curto prazo — o ambiente de "comprar e subir" de 2017 e 2021 não existe mais.
A posição "no topo" e a localização real do ciclo
Voltando à questão inicial: o ciclo do BTC está falhando? Minha resposta é — o ciclo não falhou, apenas foi alongado e suavizado.
A grande onda de alta ainda não chegou. Nas três fases anteriores, a onda principal tinha pelo menos duas características: FOMO extremo dos varejistas, aumento expressivo de endereços ativos na blockchain, e início de distribuição em larga escala por long-term holders. Essas características não aparecem em maio de 2026 — o interesse no Google por "Bitcoin" é só 30% do pico de 2021, o crescimento de endereços ativos é limitado, e dados do Glassnode mostram que os investidores de longo prazo continuam acumulando.
Isso indica que o "topo do ciclo" provavelmente ainda está por vir, só que o tempo será mais longo — talvez no final de 2026, ou no primeiro semestre de 2027, ou até no meio ou final de 2027. Ninguém consegue prever a data exata, mas a evidência on-chain sugere fortemente que o "topo" ainda não chegou.
O que poderia invalidar essa avaliação são dois "black swans": primeiro, um cenário macroeconômico — uma recessão severa nos EUA, queda de mais de 30% no mercado de ações, que faria o BTC não escapar ileso; segundo, um evento interno ao setor — uma grande instituição (como uma grande empresa listada com muitos BTC) enfrentar uma crise financeira e ser forçada a vender em massa, causando um efeito dominó. Esses riscos não são o cenário base, mas precisam ser monitorados.
Para quem atravessa ciclos
Chegando ao ponto mais simples: como os investidores de longo prazo devem agir nesse ambiente de "ciclo suavizado + divisão macro"?
Primeiro, entender que não é 2017 nem 2021. Esqueça a expectativa de "multiplicar por várias vezes em poucos meses". Essa rodada provavelmente será uma "alta moderada e prolongada" — retorno anual de 30-50%, com retração máxima de 25-30%. Se você esperar um desempenho semelhante a 2017, vai sofrer com a lateralização ou vender na metade do caminho.
Segundo, aceitar que "rotação de narrativas" é a nova normalidade. Diversifique entre alguns setores que você compreende (blockchains, DePIN, IA, RWA, infraestrutura de stablecoins). Distribua seu capital, ajuste conforme os fundamentos. A estratégia de "apostar tudo em SHIB que multiplica por 100" provavelmente não acontecerá nesta rodada.
Terceiro, monitore dados on-chain reais — não se deixe levar por emoções de influenciadores ou mídia. Plataformas como Glassnode, CryptoQuant, Dune oferecem dados gratuitos para avaliar o sentimento do mercado — mudanças na posição de investidores de longo prazo, fluxo de fundos de mineradoras, valor de mercado de stablecoins, fluxo de entrada e saída de ETFs. Esses dados são muito mais confiáveis do que "um influenciador gritando".
Quarto, ajuste sua posição e aceite a espera prolongada. O maior retorno do BTC vem de "não fazer nada nos momentos mais difíceis" — no fundo do bear market de 2018, na crise de 2020, após o colapso da FTX em 2022. Esses momentos difíceis são as maiores oportunidades. O ambiente atual não é o mais difícil, nem o mais confortável, mas o essencial é desenvolver a capacidade de atravessar ciclos.
Em maio de 2026, o BTC ainda estará perto de 70 mil dólares, o Nasdaq em máximas históricas, o ouro atingindo recordes, e o Fed navegando entre inflação e emprego. É um momento cheio de incertezas. Mas, para quem tem visão de longo prazo, essa é uma janela excelente para consolidar a compreensão — o mercado não está extremo, o sentimento não está extremo, e você pode observar cada sinal com calma.
A avaliação mais valiosa é sempre contra a opinião da maioria e com uma visão de longo prazo. Essa rodada de "contra a opinião comum" pode ser: o ciclo não falhou, apenas desacelerou; o topo ainda não chegou, só está mais lento; a temporada de altcoins acabou, mas bons projetos ainda surgirão. Guarde esses três pontos na cabeça, e o resto é só paciência.
29 de maio, após o fechamento, o Bitcoin fechou perto de 73.000 dólares, com um aumento de aproximadamente 8% desde o início do ano. Este desempenho é relativamente mediano entre todos os "ativos de risco" — o Nasdaq subiu 12% no mesmo período, o ouro 18%, o S&P 500 10%. Se voltarmos a um ano atrás, todos acharíamos impossível que "o aumento do BTC fosse inferior ao do ouro"; mas em 2026, isso já aconteceu.
Há uma voz cada vez mais forte no mercado — a teoria da falha do ciclo do Bitcoin. O núcleo dessa teoria é: nas três últimas fases (2013, 2017, 2021), os ciclos do BTC sempre tiveram uma "onda de alta principal" após 12-18 meses do evento de halving, mas após o quarto halving (abril de 2024), essa regra já se mostrou falha. Segundo a "teoria do ciclo tradicional", o BTC deveria atingir o pico entre o final de 2025 e o primeiro semestre de 2026 (15 a 20 mil dólares), mas o que aconteceu foi que, após atingir 120 mil dólares em dezembro de 2024, entrou em consolidação, permanecendo perto de 70 mil dólares até maio de 2026.
Isso é o ciclo falhou? Ou apenas foi "alongado"? Qual é o mecanismo por trás disso? Este artigo pretende esclarecer essa questão. Porque essa avaliação determina a estratégia central de alocação de ativos de criptomoedas para os próximos 12-24 meses — se o ciclo ainda existe, apenas foi adiado, então a resposta de "reduzir ou aumentar posições" é completamente diferente.
Qual é a lógica das três fases anteriores
Primeiro, vamos esclarecer a lógica das últimas três fases. O Bitcoin reduz sua recompensa de bloco pela metade a cada quatro anos, e o mercado geralmente acredita que a redução de oferta leva a uma alta de preços. Essa é a explicação superficial. O mecanismo real é mais complexo.
Primeira fase de 2013: BTC de 13 dólares para 1100 dólares, a onda de alta principal ocorreu antes e depois do halving de novembro. A força motriz real foi o crescimento de exchanges centralizadas como Mt.Gox + entrada de mineradores chineses + reconhecimento inicial dos investidores de varejo. O "halving" foi apenas um evento desencadeador, a força principal foi a explosão do setor de zero a um.
Segunda fase de 2017: BTC de 1100 para 19500, a onda de alta principal ocorreu 12-18 meses após o halving (julho de 2016). A força motriz real foi a febre de ICOs + o crescimento do Ethereum + o reconhecimento global de investidores de varejo em criptomoedas pela primeira vez. O "halving" foi o gatilho, a força principal foi a expansão de casos de uso (de BTC puro para contratos inteligentes + altcoins).
Terceira fase de 2021: BTC de 19500 para 69000, a onda de alta principal ocorreu 12-18 meses após o halving de maio de 2020. A força motriz real foi o estímulo maciço pós-pandemia + entrada de instituições (MicroStrategy, Tesla) + narrativas como DeFi, NFTs + expectativa de depreciação do dólar. O "halving" foi o gatilho, a força principal foi a liquidez macro + expansão institucional.
Ao juntar essas três fases, uma coisa importante fica clara — o que chamamos de "ciclo de halving" é apenas uma regra superficial; o que realmente impulsiona o preço do BTC é a "nova demanda que surge a cada quatro anos". A primeira fase foi CEX, a segunda ICO, a terceira instituições + DeFi. Cada fase trouxe uma nova leva de compradores incrementais.
E então, qual será a nova demanda incremental nesta rodada de 2024-2026? Essa é a questão central.
Quem são os novos compradores nesta rodada: ETF e tesouraria corporativa
Para 2024-2026, os principais novos compradores de BTC são dois: ETFs de spot e tesourarias corporativas.
A linha dos ETFs de spot é muito clara. Em 11 de janeiro de 2024, a SEC aprovou 11 ETFs de BTC de spot, e até o final de maio de 2026, o fluxo líquido total de entrada de fundos de BTC nos EUA ultrapassou 150 bilhões de dólares, com quase 1,3 milhão de BTC em posse (6,5% do total circulante). Trata-se de uma reserva de capital sem precedentes — nunca antes uma "ferramenta financeira tradicional" conseguiu absorver tanto BTC.
Algumas características desses compradores de ETFs:
Primeiro, são extremamente estáveis — segundo dados internos da BlackRock, mais de 60% dos clientes do IBIT são fundos de pensão, seguradoras, escritórios familiares e grandes instituições, com baixa rotatividade.
Segundo, são quase insensíveis às emoções — a maior parte do capital de ETFs vem de alocações automáticas (rebalanceamento mensal proporcional), sem ajustes bruscos por volatilidade de preço.
Terceiro, seu volume continua crescendo — no primeiro trimestre de 2026, o fluxo líquido mensal ainda ultrapassou 20 bilhões de dólares, similar às taxas de 2024-2025.
A tesouraria corporativa é outra linha de demanda. Até maio de 2026, mais de 200 empresas listadas globalmente divulgaram possuir BTC como parte de suas tesourarias, totalizando mais de 800 mil BTC (4% do total circulante). Entre elas, a MicroStrategy (agora Strategy) possui mais de 600 mil BTC, com custo médio abaixo de 40 mil dólares por BTC, sendo a maior participante dessa linha. Empresas como Metaplanet no Japão, Méliuz no Brasil, Tezzion em Hong Kong estão adotando o "BTC como reserva" como estratégia contra a depreciação da moeda fiduciária.
A soma dessas duas categorias de compradores já ultrapassa 10% do total de circulação de BTC, e continuam acumulando mensalmente. Curiosamente, esse "crescimento constante" tem desacelerado o ritmo de "explosões de preço" — porque esses novos compradores entram de forma muito estável, lenta e institucionalizada, sem a explosão de 2017 ou 2021, onde investidores de varejo entraram em massa em curto prazo.
A lógica do "suavização do ciclo"
Essa é a maior diferença do ciclo atual do BTC em relação às anteriores — o ciclo foi "suavizado".
Nas fases anteriores, o mercado era "movido por varejo". Os investidores de varejo são emocionais, de curto prazo, alavancados, seguem tendências. Uma fase de alta começava com "FOMO" (medo de perder) e terminava com "venda por pânico", com retrações de mais de 50% e recuperações de mais de 200%. Essa estrutura naturalmente criava alternância entre grandes altas e grandes quedas.
Na rodada atual, há uma combinação de "fundos institucionais + varejo". Os fundos institucionais representam 30-40% do mercado (ETFs + tesourarias + ações de empresas listadas indiretamente), e suas características são opostas às dos investidores de varejo: baixa alavancagem, visão de longo prazo, investimentos periódicos. Quando esse capital entra, não sai rapidamente — a menos que ocorra uma crise financeira extrema (como a de 2008).
Essa combinação de "dinheiro de longo prazo + curto prazo" essencialmente transforma o BTC de um "commodity" em um "ativo financeiro". Os preços de commodities dependem de oferta e demanda, enquanto os de ativos financeiros dependem de múltiplos de avaliação + liquidez. E a volatilidade desses múltiplos e liquidez é muito menor do que a do mercado de commodities. Por isso, essa rodada do BTC parece "menos agressiva" — ele já amadureceu a ponto de não mais subir como em 2017 de forma tão frenética.
Isso não é ruim. A redução da volatilidade melhora o "Sharpe ratio" (retorno ajustado ao risco) do BTC em carteiras tradicionais. Para investidores de longo prazo, "crescer lentamente, mas cair menos" é uma forma de maturidade.
A questão do Federal Reserve
No final de maio, as expectativas do mercado para a reunião do FOMC de junho estão divididas. O CME FedWatch mostra cerca de 45% de chance de corte de 25 pontos-base, e cerca de 50% de chance de manter a taxa. Essa divisão, quase equilibrada, é rara nos últimos seis meses — normalmente, o mercado converge para uma direção clara uma ou duas semanas antes.
A razão dessa divisão é a própria divergência nos dados econômicos. Por um lado, a inflação do núcleo PCE de abril subiu para 2,9% (acima da meta de 2%), e as tarifas comerciais aumentaram o risco de inflação de bens; por outro lado, o emprego não agrícola de abril cresceu apenas 125 mil, bem abaixo do esperado, e a taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,3%. De um lado, há pressão inflacionária; do outro, fraqueza no mercado de trabalho — a situação de Powell é mais difícil do que em 2024.
Esse ambiente macro "dividido" é neutro ou levemente positivo para o BTC. Se o Fed cortar juros em junho, a liquidez mais frouxa impulsionará ativos de risco (incluindo BTC); se mantiver a taxa e adotar uma postura dovish, as expectativas de adiamento de cortes sustentam o preço do BTC; a única situação desfavorável seria uma inflação descontrolada e o Fed forçado a reaumentar juros, mas essa probabilidade é baixa atualmente.
As tarifas comerciais também são um fator-chave. A política de tarifas recíprocas do governo Trump, que começou a ser reavaliada em 2025, tem sido uma montanha-russa — aumentos, reduções, adiamentos. Cada reviravolta impacta bastante o humor do mercado. O ponto de inflexão mais importante pode ser entre junho e julho — se negociações entre EUA e China avançarem ou fracassarem, as expectativas globais de economia e inflação serão reavaliadas, e o BTC também oscilará.
A "diferenciação" das altcoins
Outro aspecto marcante nesta rodada é que a "temporada de altcoins" (exceto BTC, ETH, SOL) praticamente não acontecerá mais. Nas fases anteriores, havia um padrão claro: após a alta do BTC, o fluxo de capital passava para ETH, depois para altcoins principais (XRP, ADA, DOT), e por fim para as de cauda longa. Essa "queda em cascata" ocorreu em 2017 e 2021, com quase todas as moedas multiplicando dezenas de vezes.
Em 2024-2026, esse efeito de cascata não se repete. O fluxo de capital entra nos ETFs de BTC, mas pouco sai para altcoins. Os motivos são dois: primeiro, o foco dos fundos institucionais é em BTC e ETH (e pouco SOL), sem interesse em altcoins de cauda longa; segundo, a oferta de altcoins cresceu de alguns milhares em 2017 para milhões em 2026 (incluindo memecoins), diluindo o mercado e tornando quase impossível uma alta generalizada.
Ao invés de uma "temporada de altcoins", o que predomina agora é a "rotação de narrativas". Criptomoedas de IA (Bittensor, Render), DePIN, L2, RWA, memecoins — cada segmento tem seu próprio ciclo de alta, mas nenhum consegue impulsionar o mercado como um todo. Isso indica maturidade do ciclo — o mercado não sobe ou desce de forma uniforme, mas se diferencia com base nos fundamentos.
Esse cenário é, na verdade, favorável ao investidor de longo prazo. Ele força uma análise mais aprofundada de projetos específicos, modelos de negócio e economia de tokens, ao invés de apostar na sorte. Mas é péssimo para traders de curto prazo — o ambiente de "comprar e esperar que suba" que existia antes não volta mais.
A posição "de pico" e o "ciclo" na sua verdadeira localização
Voltando à questão inicial: o ciclo do BTC está falhando? Minha resposta é — o ciclo não falhou, apenas foi alongado + suavizado.
A grande onda de alta ainda não chegou. Nas três fases anteriores, o pico principal veio acompanhado de pelo menos dois sinais: emoções de FOMO extremas, aumento expressivo de endereços ativos na blockchain, grandes distribuidores de tokens por investidores de longo prazo. Esses sinais não aparecem em maio de 2026 — o interesse no Google por "Bitcoin" é apenas 30% do pico de 2021, o número de endereços ativos cresceu pouco, e dados do Glassnode mostram que investidores de longo prazo continuam acumulando.
Isso indica que o "topo do ciclo" provavelmente ainda está por vir, só que com um prazo mais longo do que as fases anteriores. Pode ser no final de 2026, ou no primeiro semestre de 2027, ou até no segundo semestre de 2027. Ninguém consegue prever exatamente, mas a avaliação de que "ainda não chegou ao pico" tem forte suporte nos dados on-chain.
O que poderia invalidar essa avaliação são dois "cisnes negros": primeiro, macroeconômico — uma recessão severa nos EUA, queda de mais de 30% no mercado de ações, que faria o BTC não escapar ileso; segundo, interno ao setor — uma grande instituição (como uma grande empresa listada com muitos BTC) enfrentando crise financeira e sendo forçada a vender, causando uma cascata de vendas. Esses riscos não são o cenário base, mas precisam de monitoramento constante.
Para quem atravessa ciclos
Chegando ao ponto final: como os investidores de longo prazo devem agir nesse ambiente de "ciclo suavizado + divisão macro"?
Primeiro, entender que não é 2017 nem 2021. Esqueça a expectativa de "multiplicar por várias vezes em poucos meses". O que provavelmente virá é uma "alta moderada e prolongada" — retorno anual de 30-50%, retração máxima de 25-30%. Se você esperar uma explosão como em 2017, vai sofrer com a lateralização ou vender no meio do caminho.
Segundo, aceitar que a "rotação de narrativas" é a nova normalidade. Diversifique suas posições entre alguns setores que você entende (blockchains, DePIN, IA, RWA, infraestrutura de stablecoins). Distribua seu capital proporcionalmente, ajustando conforme os fundamentos. A estratégia de "apostar tudo em SHIB e esperar 100x" provavelmente não acontecerá nesta rodada.
Terceiro, monitore dados on-chain reais — não se deixe levar por emoções de influenciadores ou mídia. Plataformas como Glassnode, CryptoQuant, Dune oferecem dados gratuitos que ajudam a entender o humor do mercado — mudanças na posição de investidores de longo prazo, fluxo de fundos de mineradores, valor de mercado de stablecoins, fluxo de ETFs. Esses dados são muito mais confiáveis do que "um influenciador gritando".
Quarto, ajuste sua posição e esteja preparado para uma espera longa. O maior retorno do BTC vem de "não fazer nada nos momentos mais difíceis" — no fundo do mercado de 2018, na crise de 2020, na queda de 2022 com a FTX. Cada momento difícil é uma oportunidade. O ambiente atual não é o mais difícil, nem o mais confortável, mas o que importa é desenvolver a capacidade de atravessar ciclos.
Em maio de 2026, o BTC ainda estará perto de 70 mil dólares, o Nasdaq em máximas históricas, o ouro atingindo recordes, o Fed navegando entre inflação e emprego. É um momento cheio de incertezas. Mas, para quem tem uma visão de longo prazo, essa é uma janela excelente para consolidar a compreensão — o mercado não está extremo, o humor não está extremo, e você consegue enxergar cada pista com clareza.
A avaliação mais valiosa sempre será contrária à maioria e de longo prazo. Essa "contrariedade" pode ser: o ciclo não falhou, apenas desacelerou; o pico do BTC ainda não chegou, só está mais tranquilo; a temporada de altcoins acabou, mas bons projetos ainda surgirão. Guarde esses três pontos na cabeça, e o resto é só paciência.