Aos 18 anos, escolheste na internet “trading de criptomoedas”, porque ouvi dizer que “dá para ganhar dinheiro”.



No dia em que o computador chegou, o teu pai ficou sentado no limiar da porta a fumar três cigarros.

Aos 22 anos, terminaste o curso. E o professor de colocação perguntou-te: “Queres trabalhar?”

Tu abanaste a cabeça. Limitaste-te a continuar a fazer trading.

Ninguém te perguntou se gostavas deste sector, só te perguntaram se eras capaz de ganhar dinheiro.

Aos 25 anos, fazias trading em casa. O computador punha o teu programa em funcionamento, sem falhar nem um centavo.

O ruído da ventoinha era muito alto. Ninguém ouvia o teu velho computador antiquado, lá dentro, a dar, por vezes, aquele “clique” de vez em quando.

Aos 30 anos, casaste.

Na cerimónia, o mestre de cerimónias brincou: “O noivo é um daqueles que fazem trading de criptomoedas; no futuro, não há que ter medo de a casa ficar hipotecada!”

Os convidados riram e troçaram, e ninguém sabia que, na verdade, tu tinhas o maior medo de, em casa, alguém vir a ser despejado.

Porque quando não há tendência, tu só queres afastar-te daqueles gráficos em K e dos dados.
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