O ouro pode enfrentar dificuldades até 2026 à medida que os títulos recuperam o apelo de porto seguro.

Mike McGlone, Estrategista de Mercado Sênior da Bloomberg Intelligence, emitiu uma perspectiva baixista para o ouro até 2026 em seu relatório de commodities do meio do ano, observando que o metal precioso atingiu sua maior valorização em relação aos Tesouros dos EUA em quase 40 anos durante o primeiro trimestre. McGlone afirmou que os títulos dos EUA podem se tornar um ativo de refúgio mais barato e atraente do que o ouro se o momentum do mercado de ações desacelerar, já que os rendimentos dos Treasuries atingiram aproximadamente 5,20% em maio — o maior nível desde 2007. A análise ocorre enquanto o Federal Reserve manteve as taxas de juros inalteradas em sua reunião de política monetária de junho, enquanto projetava apoio para um aumento de taxa até o final do ano, com o Presidente Kevin Warsh enfatizando o foco na estabilidade de preços em meio a persistentes preocupações com a inflação.

Ouro Atinge Pico de Valorização de 40 Anos em Relação aos Treasuries

McGlone destacou que a valorização do ouro no primeiro trimestre em relação aos Treasuries marcou o maior nível em quase quatro décadas, criando condições nas quais os títulos podem recuperar o status de refúgio nos níveis de preços atuais. "O índice de T-bonds vem despencando em relação ao S&P 500 desde 2021, na esteira da maior injeção de dinheiro da história", afirmou McGlone em seu relatório. "Os T-bonds, que atingiram cerca de 5,20% em maio — o maior rendimento desde 2007 — continuarão a derreter em relação às ações, ou a liquidação pode marcar o fim do jogo? Inclinamo-nos para esta última opção, especialmente devido ao vasto espaço para reversão."

O estrategista observou que, embora o ouro tenha proporcionado seu melhor retorno anual desde 1979 em 2025, com ganhos superiores a 60%, o ambiente atual do mercado favorece as ações. "O ouro capturou alfa em 2025 — seu melhor ano desde 1979 — mas o único jogo na cidade parece ter mudado para as ações, o que pode ser uma situação perde-perde para o ouro", explicou McGlone. "Ações mais altas podem significar taxas mais altas e concorrência. Se as ações murcharem, os T-bonds podem vencer."

McGlone identificou a pandemia global de COVID-19 como o sinal de compra inicial para o ouro em relação aos títulos, mas indicou que o foco renovado do Federal Reserve na inflação pode sinalizar o fim dessa tendência de seis anos. Ele apontou para padrões históricos mostrando que o ouro registrou retornos negativos em sete dos últimos 26 anos, com seis desses anos dominados por aperto monetário e rendimentos reais mais altos.

Federal Reserve Sinaliza Possível Aumento de Taxa até o Final do Ano

O Federal Reserve manteve as taxas de juros em sua reunião de política monetária de junho, enquanto projeções econômicas atualizadas indicaram apoio para um aumento de taxa até o final do ano. O Presidente do Fed, Kevin Warsh, enfatizou o foco do banco central na estabilidade de preços durante a reunião.

"O ouro parece vulnerável em 2026 se o aperto e o aumento dos rendimentos reais se tornarem o regime macroeconômico dominante", afirmou McGlone. "O metal registrou retornos negativos em sete dos últimos 26 anos, e seis desses foram dominados por aperto e rendimentos reais mais altos; no sétimo, não surgiu um tema forte. Por outro lado, o ouro subiu em cada um dos cinco anos em que a desdolarização ou a diversificação de reservas liderou, com 2025 proporcionando seu retorno mais forte (mais de 60%) nos últimos 26 anos."

Prata Enfrenta Pressão Baixista Apesar da Força da Demanda Industrial

McGlone projetou que a prata seguirá a trajetória descendente do ouro em 2026, apesar de fundamentos sólidos e demanda industrial que normalmente sustentariam preços mais altos. Ele observou que a prata está atualmente 18% subvalorizada, considerando a força do setor manufatureiro.

"É improvável que a prata escape da atração do ouro para baixo, mesmo com demanda industrial robusta e déficit físico, deixando os impulsionadores econômicos como a principal restrição para uma recuperação sustentada", afirmou McGlone em seu relatório.

A análise atribui a vulnerabilidade da prata à sua correlação com os movimentos do preço do ouro, que McGlone espera que supere os sinais positivos de demanda industrial em um ambiente de aperto da política monetária.

Perguntas Frequentes

Por que McGlone espera que o ouro tenha dificuldades em 2026? McGlone afirmou que o ouro parece vulnerável em 2026 se o aperto monetário e o aumento dos rendimentos reais se tornarem o regime macroeconômico dominante. Ele observou que, em seis dos sete anos em que o ouro registrou retornos negativos nos últimos 26 anos, políticas de aperto e rendimentos reais mais altos dominaram as condições de mercado. O foco do Federal Reserve na estabilidade de preços e as projeções de aumento de taxas criam um ambiente no qual os Tesouros dos EUA podem se tornar um ativo de refúgio mais atraente do que o ouro.

Qual é a relação entre o ouro e os títulos do Tesouro de acordo com o relatório? McGlone indicou que o ouro atingiu sua maior valorização em relação aos Tesouros dos EUA em quase 40 anos durante o primeiro trimestre. Ele explicou que a pandemia global de COVID-19 marcou o sinal de compra inicial para o ouro em relação aos títulos, mas o foco renovado do Federal Reserve na inflação pode sinalizar o fim dessa tendência de seis anos. Os rendimentos dos Treasuries atingiram aproximadamente 5,20% em maio — o maior nível desde 2007 — criando condições nas quais os títulos podem recuperar seu apelo tradicional de refúgio sobre o ouro nos níveis de preços atuais.

Como a prata se comportará se os preços do ouro caírem? McGlone afirmou que é improvável que a prata escape da atração descendente do ouro em 2026, mesmo com demanda industrial robusta e déficit físico no mercado. Ele observou que a prata está atualmente 18% subvalorizada em relação à força do setor manufatureiro, mas indicou que os impulsionadores econômicos atuarão como a principal restrição para uma recuperação sustentada. A análise sugere que a correlação da prata com os movimentos do preço do ouro superará os fundamentos positivos da demanda industrial em um ambiente de aperto da política monetária.

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