Meta lançou esta semana o Brain2Qwerty v2, um sistema de interface cérebro-computador não invasivo que registra atividade neural por meio de um capacete com scanner MEG (magnetoencefalografia) e decodifica diretamente o texto alvo usando um modelo de aprendizado profundo de ponta a ponta, atingindo uma precisão média de 61% por palavra. A Meta também disponibilizou o código-fonte e o conjunto de dados como parte do seu Digital Brain Project, e criou um fundo de US$ 5 milhões.
O sistema utiliza um modelo de aprendizado profundo ponta a ponta (end-to-end), que decodifica diretamente do sinal MEG bruto para o texto de saída, sem depender de etapas intermediárias projetadas manualmente; um modelo de linguagem grande corrige erros causados por ruído com base no contexto semântico na etapa final.
Escala dos dados de treinamento: cerca de 22.000 frases, 9 voluntários, com aproximadamente 10 horas de gravação por pessoa. A Meta afirma que a precisão continuará aumentando com o crescimento do volume de dados de treinamento. Como referência técnica, a versão v1 apresentou uma taxa de erro de caracteres (CER) de cerca de 32% com MEG; a mesma tarefa com EEG subiu para aproximadamente 67%.
O MEG utiliza sensores supercondutores para detectar campos magnéticos extremamente fracos gerados pela atividade neuronal. Esses campos têm melhor penetração que os do EEG, resultando em sinais mais nítidos; no entanto, o capacete MEG custa milhões de dólares e requer um ambiente especial de isolamento magnético, sendo historicamente restrito a laboratórios de neurociência, sem aplicação clínica ou de consumo.
Com essa limitação de equipamento, o Brain2Qwerty v2 atinge 61% de precisão, aproximando-se do nível que antes só era possível com interfaces implantáveis (como a Neuralink). A escolha da Meta pela via não invasiva parte do princípio de que a barreira cirúrgica das interfaces implantáveis torna difícil a aceitação pela maioria dos potenciais beneficiários.
Ao lançar o Brain2Qwerty v2, a Meta também tornou públicos o código do sistema e o conjunto de dados de treinamento, como parte do Digital Brain Project. A Meta ainda criou um fundo de US$ 5 milhões, dedicado exclusivamente ao apoio à construção de conjuntos de dados abertos de neurociência.
A Meta destaca que um dos gargalos da pesquisa em BCI não invasiva é a falta de grandes conjuntos de dados neurais públicos; atualmente, cada instituição de pesquisa coleta dados básicos repetidamente, com eficiência extremamente baixa. Este fundo visa impulsionar a comunidade a construir conjuntos de dados de referência.
Interfaces implantáveis (como a Neuralink) inserem eletrodos diretamente no córtex cerebral, proporcionando sinais limpos, baixa latência e alta precisão, mas exigem cirurgia. O principal desafio dos métodos não invasivos é a relação sinal-ruído: o crânio e o couro cabeludo atenuam severamente o sinal, especialmente no EEG; o MEG tem melhor penetração, mas o custo do equipamento e os requisitos ambientais limitam sua disseminação.
O modelo ponta a ponta decodifica diretamente do sinal MEG bruto para o texto de saída, sem que pesquisadores precisem projetar etapas intermediárias manualmente (como identificar eventos cerebrais específicos e depois deduzir letras passo a passo). Durante o desenvolvimento, a Meta utilizou agentes de IA para explorar sistematicamente o espaço de otimização do fluxo de decodificação, e os engenheiros selecionaram a configuração final de treinamento.
O Brain2Qwerty v2 atualmente é testado em condições laboratoriais com equipamento MEG, sendo um sistema em fase de pesquisa, sem ter entrado em ensaios clínicos ou processo de comercialização. A Meta afirma que ainda há espaço para melhoria na precisão, mas o cronograma para uso clínico ou comercial não foi divulgado até o momento desta reportagem.
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