O Aeroporto de Tóquio começa a introduzir, em maio, robôs humanóides para transportar bagagens e limpar cabines, à medida que a crise de escassez de mão de obra no Japão se intensifica

A Japan Airlines (JAL) anunciou que, a partir de maio de 2026, vai realizar testes com robôs humanoides para manuseio de bagagens e limpeza de aeronaves no aeroporto de Haneda, em Tóquio, marcando a primeira tentativa da indústria de aviação japonesa. Diante da dupla pressão de o número de passageiros que chegam ao país bater recordes históricos com frequência e de a população trabalhadora local continuar encolhendo, os robôs são vistos como uma solução-chave para preencher a lacuna de mão de obra.

Japan Airlines will trial humanoid robots for baggage handling and aircraft cleaning at Tokyo’s Haneda Airport starting in May, citing workforce shortages and rising tourist numbers pic.twitter.com/XJ9ImcN3UO

— Reuters (@Reuters) April 29, 2026

Robôs “colegas” no aeroporto de Haneda que precisam recarregar na hora certa

A Japan Airlines e a parceira GMO AI & Robotics anunciaram em conjunto a proposta de testes, que deve durar até 2028. Os robôs humanoides fabricados pela chinesa Hangzhou Unitree (Unitree) serão os primeiros a ser implantados no pátio do aeroporto de Haneda, para ajudar os funcionários do ground handling no carregamento e descarregamento de contêineres de carga e no transporte das bagagens dos passageiros.

Sabe-se que o aeroporto de Haneda tem um fluxo anual de mais de 60 milhões de passageiros, sendo um dos aeroportos mais movimentados do mundo.

Em um vídeo divulgado pela Reuters, um robô Unitree G1 com 130 cm de altura e cerca de 35 kg, empurra as cargas para cima em um veículo de esteira ao lado de um avião da JAL e acena para os funcionários ao lado. O robô é equipado com um radar óptico 3D (LiDAR) e câmeras de profundidade, o que lhe permite navegar de forma autônoma em um ambiente complexo de aeroporto. Com uma única carga, ele opera por cerca de 2 a 3 horas.

A empresa de ground handling da JAL atualmente tem cerca de 4.000 funcionários. Desta vez, o teste será feito sem demissões, usando robôs para auxiliar a força de trabalho, em vez de substituí-la.

Escassez de mão de obra se aproxima do limite, e políticas de imigração não resolvem o problema

O presidente da empresa de ground handling da JAL, Yoshiki Suzuki, disse que colocar robôs para executar tarefas que exigem esforço físico vai “reduzir a carga dos funcionários e trazer benefícios significativos para os empregados”, mas que tarefas-chave como gerenciamento de segurança ainda ficarão sob responsabilidade de humanos.

O presidente da GMO AI & Robotics, Tomohiro Uchida, também afirmou: “Na superfície, o aeroporto parece altamente automatizado e padronizado, mas no back-end as operações ainda dependem fortemente de mão de obra e enfrentam uma escassez de trabalhadores bastante severa”.

Com o envelhecimento contínuo da população do Japão, a população em idade de trabalhar está diminuindo mais rapidamente. Estima-se que, até 2040, o Japão precisará de mais de 6,5 milhões de trabalhadores estrangeiros para atingir suas metas de crescimento econômico. No entanto, nos últimos anos, o aumento considerável de estrangeiros também coloca o governo sob pressão política para apertar as políticas de imigração, reduzindo cada vez mais o espaço para preencher a lacuna apenas com trabalhadores estrangeiros. Por isso, robôs de automação se tornam uma saída mais viável.

Turismo em alta agrava a lacuna de mão de obra, e robôs podem virar solução de longo prazo

Ao mesmo tempo, o turismo de entrada no Japão segue crescendo em alta velocidade, agravando ainda mais o desequilíbrio entre oferta e demanda de mão de obra no ground handling. Segundo estatísticas da Agência Japonesa de Promoção do Turismo, em 2025 o número de turistas internacionais ultrapassou 42,7 milhões no ano todo, estabelecendo um recorde histórico; nos dois primeiros meses de 2026, a soma já havia superado 7 milhões.

Esse número foi alcançado até mesmo em um contexto de acirramento das tensões políticas entre China e Japão que levou à queda de turistas chineses, indicando que a demanda por turismo ainda permanece bastante forte.

Diante do aumento contínuo do número de passageiros e de uma estrutura de mão de obra difícil de melhorar no curto prazo, a JAL espera que os robôs possam se tornar um plano de implantação de longo prazo após o fim do teste. Além das operações no pátio, as duas empresas também planejam ampliar futuramente o uso dos robôs para limpeza de cabine e operação de equipamentos de apoio em solo.

Na prática, alguns aeroportos no Japão já usam robôs para patrulha de segurança e serviços de varejo. Se o teste em Haneda for bem-sucedido, ele pode se tornar um marco importante para a entrada de robôs humanoides nas atividades de ground handling da aviação.

Este artigo “Aeroporto de Tóquio adota robôs humanoides para levar bagagens e limpar a cabine a partir de maio; crise de escassez de mão de obra no Japão se intensifica” foi publicado pela primeira vez em ABMedia, nas notícias da cadeia.

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