A BIP-110 propõe reduzir o limiar de aprovação de uma atualização do Bitcoin para 55%, gerando um aceso debate na comunidade.

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A comunidade do Bitcoin está a entrar em forte debate devido a uma proposta temporária de soft fork, BIP-110; uma das disposições mais controversas é a ideia de baixar drasticamente o limiar de aprovação dos mineiros para upgrade do protocolo de 95% para 55%; a proposta utiliza um mecanismo de ativação por sinal dos mineiros, definindo cerca de 7 de agosto como o início do período de sinal obrigatório e cerca de 1 de setembro como a data de entrada em vigor das regras, ao mesmo tempo que oferece um caminho de UASF (User Activated Soft Fork).

Conteúdo central da proposta BIP-110: medidas de restrição de dados de transação e descida do limiar de upgrade

O BIP-110 pretende impor, através do cliente Bitcoin Knots, durante um ano, várias restrições a transações intensivas em dados, com o objetivo de reduzir o uso de dados não monetários na blockchain do Bitcoin. Os apoiantes consideram que esta medida pode aliviar o peso sobre os operadores dos nós e combater os “envios de lixo”, fazendo com que a funcionalidade do Bitcoin se volte para os seus “atributos centrais de moeda”.

Para além das restrições técnicas, outra condição central do BIP-110 é baixar o limiar de aprovação pelos mineiros para o upgrade, atualmente em 95%, para 55% de forma significativa; este ajuste é visto por algumas pessoas como uma tentativa de reduzir a dificuldade de mudanças futuras do protocolo, mas é também um dos principais alvos das críticas dos opositores.

Posição do campo opositor ao Bitcoin BIP-110

Os opositores do BIP-110 incluem várias figuras conhecidas da comunidade do Bitcoin; abaixo estão os principais pontos de crítica:

Michael Saylor (Chairman da Strategy): afirma que as regras de consenso não devem avaliar o “propósito” de transações já pagas com taxas normais; diz que nós e mineiros podem, por sua conta, optar por não retransmitir nem minerar dados não necessários, mas que as regras de consenso, por si, devem incidir sobre “problemas já claramente verificados (como ataques de DoS ou riscos de validação)”; afirma que o BIP-110 “acarreta mais risco de governação do que o problema que tenta resolver”.

Jameson Lopp (dev conhecido): critica que a proposta pode travar o desenvolvimento de Layer2 e a evolução de scripts, bem como congelar parte dos UTXO existentes.

Dathon Pwn (investigador de segurança): identifica uma vulnerabilidade de consenso “BlockSlop”; sustenta que nós que apliquem obrigatoriamente o BIP-110 podem não voltar a validar blocos antigos, criando o risco de divergências na história da blockchain.

Progresso de ativação atual: taxa de sinalização de 0,86%, período de sinal obrigatório a 7 de agosto e cronograma de entrada em vigor a 1 de setembro

No momento da reportagem, a taxa de sinalização dos mineiros para o BIP-110 é de cerca de 0,86%, muito abaixo do limiar de 55% necessário para o bloqueio inicial; os apoiantes estimam que a taxa de suporte atual dos nós ronda os 7% a 15% e admitem que a proposta pode não conseguir ser ativada. De acordo com o cronograma divulgado da proposta, cerca de 7 de agosto começa o período de sinal obrigatório, e as regras deverão entrar em vigor cerca de 1 de setembro.

Se a taxa de sinalização do BIP-110 se mantiver ao nível atual e os nós rejeitarem a maioria dos blocos que não geram sinal, existe o risco de nós do BIP-110 se desvincularem da cadeia principal e formarem uma cadeia minoritária. Além disso, Saylor publicou no dia seguinte ao artigo de oposição um gráfico do histórico de compras de Bitcoin da Strategy com a legenda “O que vem a seguir?”, fazendo com que o mercado mude o foco para a próxima movimentação de alocação de capital da Strategy.

Perguntas frequentes

Para que problema é que o BIP-110 foi concebido e qual é a sua disposição mais controversa?

O BIP-110 tem como objetivo limitar o tamanho arbitrário dos dados nas transações do Bitcoin, reduzindo a ocupação do espaço de blocos por utilizações não monetárias como inscriptions (铭文) e Runes. A disposição mais controversa é a proposta de baixar o limiar de aprovação dos mineiros para upgrades do protocolo, de 95% para 55%, e a imposição, através do cliente Bitcoin Knots, de restrições por um período de um ano a tipos específicos de transação.

Porque é que Michael Saylor se opõe ao BIP-110?

Saylor publicou a 18 de julho de 2026, no X, o artigo “110 razões para explicar porque é que o BIP-110 é uma má ideia”. O argumento central é que as regras de consenso não devem julgar o “propósito” de transações às quais foram já pagas taxas normais; ele defende que nós e mineiros podem escolher por si próprios não retransmitir nem minerar dados que não sejam necessários, mas que as regras de consenso, por si, devem incidir sobre “ataques de negação de serviço ou riscos de validação já claramente verificados”, chamando ao BIP-110 uma “proposta iatrogénica para o Bitcoin”.

Qual é o estado de ativação atual do BIP-110 e quando é o período de sinal obrigatório?

No momento da reportagem, a taxa de sinalização dos mineiros para o BIP-110 é de cerca de 0,86%, muito abaixo dos 55% necessários para o bloqueio inicial; espera-se que o período de sinal obrigatório arranque cerca de 7 de agosto de 2026, e a data de entrada em vigor das regras cerca de 1 de setembro; os apoiantes reconhecem que as perspetivas de ativação da proposta, antes de ser ativada, estão atualmente cheias de incerteza.

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