O Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, inspecionou um avião de transporte militar C-390 fabricado no Brasil na Base Aérea de Brasília, no dia 26 (hora local). A inspeção marcou a sua primeira atividade oficial após um voo de 11 horas até ao Brasil para uma visita de Estado. A escolha invulgar da agenda — dando prioridade à inspeção da aeronave em vez da visita ao palácio presidencial e das conversações de cimeira — destaca o crescente enfoque na cooperação da indústria de defesa entre os dois países. A Embraer do Brasil apresentou a aeronave como o primeiro C-390 entregue à Ásia, ao que o Presidente Lee respondeu que a parceria representa um passo inicial significativo na cooperação em matéria de defesa entre a Coreia e o Brasil. A visita surge na sequência da elevação das relações bilaterais a uma parceria estratégica em fevereiro, com uma cimeira agendada para o dia 28 para abordar a defesa, minerais críticos, cadeias de abastecimento, indústrias avançadas e a cooperação energética.
A Coreia torna-se o primeiro cliente asiático do avião de transporte C-390 do Brasil
O C-390 é um avião militar de transporte médio de próxima geração desenvolvido pelo Brasil com tecnologia nacional. A aeronave tem uma capacidade máxima de carga útil de aproximadamente 26 toneladas, realizando as mesmas missões que o Lockheed Martin C-130J Hercules dos EUA, ao mesmo tempo que oferece velocidades de cruzeiro mais rápidas e um espaço de carga maior. A plataforma multifuncional pode realizar o transporte de tropas e equipamento, reabastecimento aéreo, evacuação médica e operações de ajuda em caso de desastre.
O Governo sul-coreano selecionou o C-390 como o seu próximo avião de transporte de grande dimensão, em 2023, para substituir os envelhecidos aviões de transporte C-130H. O custo total do projeto é de aproximadamente 883 mil milhões de won, com as entregas às Forças Aéreas sul-coreanas previstas para começarem de forma sequencial a partir do fim deste ano. Os efetivos das Forças Aéreas sul-coreanas estão atualmente a receber formação para a passagem de comando da aeronave no Brasil.
Durante a inspeção, o Presidente Lee colocou sucessivas questões sobre a duração do voo com carga máxima, o alcance e as capacidades de reabastecimento aéreo. Quando responsáveis brasileiros apresentaram o C-390 como “a primeira aeronave enviada para a Ásia”, o Presidente Lee respondeu: “Para nós também, isto é o primeiro arranque da cooperação de defesa com o Brasil, por isso é muito significativo.” Quando a parte brasileira sublinhou que “a República da Coreia é o parceiro mais importante na Ásia”, ele respondeu: “Vamos criar mais cooperação no futuro.”
Para o Brasil, a Coreia representa um cliente especial. Este contrato constitui o primeiro caso de exportação para a Ásia do C-390. A Embraer garantiu uma base para a expansão do mercado global, enquanto a Coreia criou uma oportunidade para diversificar as suas capacidades de aeronaves de transporte para além de depender em exclusivo de equipamento militar dos EUA.
A Coreia e o Brasil alargam a parceria da indústria de defesa através de capacidades complementares
O Brasil é uma potência aeroespacial que tem a Embraer, o terceiro maior fabricante mundial de aeronaves civis. O país é um dos poucos que consegue desenvolver de forma independente não só aeronaves civis, mas também aeronaves militares, aeronaves de alerta e controlo antecipado a partir do ar, e aeronaves ligeiras de ataque.
A Coreia cresceu rapidamente como país exportador de defesa ao garantir competitividade global em obuseiros autopropulsados K9, sistemas de lançamento múltiplo de foguetes Chunmoo, aeronaves ligeiras de ataque FA-50, submarinos e fragatas. Avalia-se que as indústrias dos dois países tenham uma complementaridade mútua maior do que relações competitivas.
As forças do Brasil residem na tecnologia de fabrico de aeronaves e no acesso ao mercado da América Latina, enquanto a Coreia tem elevada competitividade em sistemas de armas terrestres, equipamentos eletrónicos e embarcações navais. Analistas apontam para espaço significativo para cooperação, incluindo investigação e desenvolvimento conjuntos, construção de cadeias de abastecimento de componentes e entrada conjunta em países terceiros.
O Brasil é visto como o maior mercado de defesa da América Latina, enquanto a Coreia tem vindo a expandir exportações em mercados como a Polónia, a Europa, o Médio Oriente e o Sudeste Asiático. Ambos os países partilham interesses estratégicos em diversificar cadeias de abastecimento de defesa centradas nos Estados Unidos e na Europa.
Cimeira agendada para o dia 28 para abordar cooperação em defesa, minerais críticos e cadeias de abastecimento
A cimeira agendada para o dia 28 irá discutir de forma abrangente não só a defesa, mas também minerais críticos, cadeias de abastecimento, indústrias avançadas e cooperação energética. O Brasil é um grande produtor de minerais críticos para indústrias avançadas, incluindo nióbio, terras raras e lítio, além de ser a maior economia da América Latina.
À medida que a obtenção de minerais críticos para a era da inteligência artificial e dos semicondutores surge como fator de competitividade nacional, o valor da cooperação com o Brasil para a Coreia aumenta do ponto de vista da segurança económica.
FAQ
O que é que o Presidente sul-coreano Lee Jae-myung inspecionou primeiro ao chegar ao Brasil?
O Presidente Lee Jae-myung inspecionou uma aeronave militar C-390 fabricada no Brasil na Base Aérea de Brasília, no dia 26 (hora local), como a sua primeira atividade oficial após um voo de 11 horas para o Brasil em visita de Estado, antes de visitar o palácio presidencial ou participar nas conversações de cimeira.
Porque é que a Coreia está a comprar o avião de transporte C-390 do Brasil?
O Governo sul-coreano selecionou o C-390 em 2023 para substituir os envelhecidos aviões de transporte C-130H, com um custo total do projeto de aproximadamente 883 mil milhões de won e entregas previstas para começarem a partir do fim deste ano. O C-390 tem uma carga útil máxima de aproximadamente 26 toneladas e oferece velocidades de cruzeiro mais rápidas e um espaço de carga maior em comparação com o C-130J Hercules.
Quando está agendada a cimeira Coreia-Brasil e que temas serão abordados?
A cimeira está agendada para o dia 28 e irá discutir de forma abrangente defesa, minerais críticos, cadeias de abastecimento, indústrias avançadas e cooperação energética. O Brasil é um grande produtor de minerais críticos, incluindo nióbio, terras raras e lítio, enquanto os dois países elevaram a sua relação bilateral a uma parceria estratégica em fevereiro.