Liderados pelo Procurador-Geral de Ohio Andy Wilson, os Procuradores-Gerais de 44 estados dos EUA enviaram, a 28 de julho, uma carta conjunta à Comissão de Negociação de Futuros de Mercadorias (CFTC), afirmando que a CFTC não tem autoridade para regular contratos relativos a eventos desportivos em plataformas de mercados preditivos. A carta conjunta pede que a CFTC volte a definir regras, deixando claro que as apostas desportivas não podem ser negociadas em mercados contratuais específicos, devendo estar sujeitas à jurisdição das leis estaduais.
Carta conjunta dos Procuradores-Gerais de 44 estados: alegação de que excede o poder legal da CFTC
A coligação, liderada pelo Procurador-Geral de Ohio Andy Wilson, indica claramente três pontos na carta: a proposta de regras da CFTC vai além dos limites do seu poder legal; conflita com a Constituição; e, na forma atual, parece arbitrária e dominadora. A coligação exige que a CFTC recomece a elaboração de regras e defina explicitamente que «as apostas desportivas e atividades de jogo não podem ser negociadas em mercados contratuais específicos», devendo ficar sob a jurisdição das leis estaduais.
A data em que a carta conjunta foi enviada coincide exatamente com o encerramento do período de consulta pública da CFTC sobre a sua primeira proposta de regras para a regulação de mercados preditivos, na noite de segunda-feira. Os Procuradores-Gerais de cinco estados — Florida, Geórgia, New Hampshire, Missouri e Texas — não subscreveram a carta.
Posição da CFTC: argumentos de prevalência federal e o projeto de definição de «jogo» publicado em junho
A CFTC e a plataforma de mercados preditivos defendem que todos os contratos de eventos são contratos de permuta (derivados), estando assim dentro do âmbito de regulação da CFTC; além disso, a CFTC já processou 9 estados em todo o país com base na prevalência federal. Em junho de 2026, a CFTC publicou o primeiro rascunho de proposta de regras de regulação de mercados preditivos, incidindo principalmente sobre os controversos contratos de eventos desportivos, e avançando uma definição de «jogo»: atividades realizadas para entretenimento ou passatempo, com base em resultados mensuráveis obtidos através de operações competentes durante o desenrolar da atividade. Os estados, por sua vez, consideram que os contratos relacionados com desporto são demasiado semelhantes às apostas desportivas, caindo no âmbito da jurisdição dos estados.
Diferentes posições de CME Group e Rothera sobre a definição de «jogo»
As duas entidades de mercado assumem posições totalmente distintas face à definição de «jogo» da CFTC:
CME Group (Jonathan Marcus, consultor jurídico geral): opõe-se à definição da CFTC. Na carta, salienta que a CFTC define «jogo» como a própria modalidade desportiva, e não como a aposta financeira sobre desporto, indicando que a «Lei de Mercadorias» prevalece sobre as regulamentações desportivas estaduais, sendo um «excesso de poder claramente evidente»; além disso, refira-se que, atualmente, o CME Group é simultaneamente uma bolsa de mercados preditivos desportivos regulada pela CFTC sob a FanDuel
Rothera (Thomas Chipas, CEO): apoia a definição da CFTC. Chipas entende que a definição deve centrar-se na própria atividade e diz que deve ser recusada a ligação da definição a «jogo» (o risco financeiro de incorrer em perdas), para garantir que ficam incluídos todos os contratos de eventos
Perguntas frequentes
Porque é que os Procuradores-Gerais de 44 estados se opõem à regulação de mercados preditivos desportivos pela CFTC?
A carta conjunta sustenta que as regras propostas pela CFTC excedem o seu poder legal (violando o âmbito da autorização da «Lei de Mercadorias»), conflituam com a Constituição e as palavras usadas são arbitrárias; estes estados defendem que os contratos relacionados com desporto são demasiado semelhantes às apostas desportivas, que historicamente se enquadram na jurisdição dos estados, devendo ser reguladas por leis estaduais e não por entidades de supervisão federais.
Com quantos estados enfrenta a CFTC atualmente litígios legais, e quais são os 5 estados que não subscreveram?
A CFTC está atualmente em litígio com 9 estados dos EUA sobre a jurisdição dos mercados preditivos, defendendo os seus direitos de regulação exclusiva sobre essas plataformas com base na prevalência federal. Os 5 estados que não subscreveram a carta conjunta são: Florida, Geórgia, New Hampshire, Missouri e Texas.
Como têm sido os resultados das decisões dos tribunais estaduais sobre mercados preditivos recentemente?
No final de junho, um tribunal no Michigan proibiu a plataforma Kalshi de fornecer serviços de apostas desportivas nesse estado; a 28 de julho (segunda-feira), um juiz federal na Minnesota impediu temporariamente que uma proibição nesse estado contra mercados preditivos entrasse em vigor — a mesma semana ficou marcada por decisões diametralmente opostas. Observadores consideram, em geral, que o Supremo Tribunal Federal acabará por decidir a titularidade da jurisdição entre o governo federal e os estados.