Bancos Centrais esperam ouro a $5.000-$6.000 até junho de 2027 - Pesquisa OMFIF

Bancos centrais que administram mais de US$ 10 trilhões em ativos intensificaram seu compromisso com o ouro como ativo de reserva estratégico, de acordo com o relatório Global Public Investor 2026 do Fórum Oficial de Instituições Monetárias e Financeiras (OMFIF). A pesquisa com 74 bancos centrais constatou que 82% agora possuem ouro físico, contra 71% há um ano, enquanto 61% esperam que o ouro seja negociado entre US$ 5.000 e US$ 6.000 por onça até junho de 2027. Os achados refletem a resposta dos bancos centrais à incerteza geopolítica, às preocupações com a dívida soberana e à mudança gradual em direção a um sistema monetário multipolar. Andrea Correa, Diretora de Pesquisa da OMFIF, disse ao Kitco News que os gestores de reservas continuam otimistas em relação ao ouro, apesar dos preços recordes. A pesquisa destaca o papel do ouro como ferramenta de proteção de riqueza em um cenário financeiro global cada vez mais fragmentado.

Bancos Centrais Expandem Reservas de Ouro Físico para 82%

A pesquisa da OMFIF revelou que 82% dos entrevistados agora possuem ouro físico, um aumento de 11 pontos percentuais em relação aos 71% de um ano atrás. Um saldo líquido de 30% dos bancos centrais pesquisados planeja aumentar suas alocações em ouro nos próximos um a dois anos. O ouro foi classificado como o ativo de reserva mais procurado entre todas as classes de ativos pesquisadas.

Andrea Correa descreveu a expansão como significativa: "A quantidade de bancos centrais que possuem ouro físico aumentou cerca de 10 pontos percentuais, o que acho que é um enorme aumento, e só tem aumentado a cada ano." Ela acrescentou que, apesar da alta do ouro para recordes históricos, os gestores de reservas continuam comprometidos com as compras. "O ouro não vai a lugar nenhum", disse Correa. "Os gestores de reservas dos bancos centrais ainda estão muito otimistas em relação ao ouro. Apesar do fato de que o próprio valor do ouro continua subindo, eles ainda o demandam."

A pesquisa constatou que a demanda não está mais concentrada nos mercados emergentes. "A tendência que estamos vendo é, na verdade, global", observou Correa. "Quando falamos em posse de ouro físico, a Europa diz que não pode aumentar muito mais porque já possui muito, enquanto regiões como a África estão mais dispostas a aumentar suas reservas de ouro físico."

Pesquisa Mostra que 61% Esperam Ouro entre US$ 5.000 e US$ 6.000 até junho de 2027

Sessenta e um por cento dos entrevistados esperam que o ouro seja negociado entre US$ 5.000 e US$ 6.000 por onça até junho de 2027. Apenas 28% dos gestores de reservas disseram que os preços mais altos estão desencorajando compras adicionais. A pesquisa indica que os bancos centrais veem o ouro como um ativo de reserva de longo prazo, e não como um investimento tático.

Correa enfatizou que o papel monetário do ouro permanece reforçado pelas condições geopolíticas. "Com todos os choques geopolíticos que estamos vendo, a incerteza e o movimento em torno do sistema monetário global, o ouro é aquele ativo que todos percebem como seguro", disse ela. "Isso não vai mudar no curto prazo."

Proteção contra Risco Geopolítico Motiva 51% dos Gestores de Reservas

A proteção contra risco geopolítico foi citada por 51% dos gestores de reservas como motivo para possuir ouro, um aumento de 11 pontos percentuais em relação a 2024. A diversificação continua sendo a principal motivação para a posse de ouro, mas as preocupações geopolíticas ganharam destaque.

A pesquisa identificou o conflito no Oriente Médio como a principal preocupação geopolítica para 85% dos entrevistados. A incerteza em torno da política externa dos EUA foi citada por 81% dos gestores de reservas. A segurança energética e as tensões comerciais também ficaram entre os riscos macroeconômicos enfrentados pelas carteiras de reservas.

Quase 80% dos gestores de reservas acreditam que o sistema monetário global está evoluindo para uma estrutura mais multipolar. Embora o dólar americano continue sendo a moeda de reserva dominante devido à sua liquidez, os bancos centrais esperam reduzir a exposição ao dólar na próxima década, ao mesmo tempo em que se diversificam em ativos de reserva alternativos.

Gestores de Reservas Planejam Mudança de Longo Prazo para Títulos Corporativos e Ações

Na próxima década, os títulos corporativos se tornaram a classe de ativos preferida dos bancos centrais para futuros aumentos de alocação, seguidos pelo ouro e depois por ações públicas. Os achados sugerem que os gestores de reservas veem o crédito corporativo de alta qualidade como uma forma de aumentar os retornos enquanto mantêm a liquidez.

Correa explicou que a preservação de capital continua sendo o objetivo dominante no curto prazo, mas o planejamento de longo prazo exige uma diversificação mais ampla. "Os bancos centrais sempre colocaram a preservação de capital como a maior prioridade, e isso ainda é verdade", disse ela. "No curto prazo, eles ainda dizem: 'Sim, vamos investir em títulos porque é mais seguro.' Mas quando você pergunta sobre o longo prazo, eles percebem que precisam começar a diversificar."

Ela acrescentou que os bancos centrais não estão abandonando abordagens conservadoras, mas aceitando que choques geopolíticos persistentes exigem um conjunto mais amplo de ativos de reserva. "No momento, eles não podem se dar ao luxo de assumir riscos", disse Correa. "Mas eles precisam olhar para o futuro e dizer: 'Precisamos diversificar um pouco e obter um pouco de retorno.' É por isso que estão começando a pensar em títulos corporativos e, eventualmente, em ações públicas."

O título do relatório, Riding the Wave, reflete esse pensamento. "Não estamos vendo isso como um choque de transição que vai desaparecer", disse Correa. "Esses choques vão permanecer. Os bancos centrais estão começando a perceber que é importante pensar em ativos que possam dar um pouco mais de retorno e diversificar mais no longo prazo."

FAQ

Qual porcentagem de bancos centrais possui ouro físico de acordo com a pesquisa da OMFIF?
De acordo com o relatório Global Public Investor 2026 da OMFIF, 82% dos bancos centrais pesquisados agora possuem ouro físico, ante 71% há um ano. A pesquisa abrangeu 74 bancos centrais que administram mais de US$ 10 trilhões em ativos.

Que preço do ouro os bancos centrais esperam até junho de 2027?
Sessenta e um por cento dos gestores de reservas pesquisados esperam que o ouro seja negociado entre US$ 5.000 e US$ 6.000 por onça até junho de 2027, de acordo com o relatório da OMFIF.

Por que os bancos centrais estão aumentando suas reservas de ouro?
Os bancos centrais citam a diversificação como a principal razão para possuir ouro. Cinquenta e um por cento dos gestores de reservas também citam a proteção contra riscos geopolíticos, um aumento de 11 pontos percentuais em relação a 2024. Oitenta e cinco por cento identificaram o conflito no Oriente Médio como sua principal preocupação geopolítica.

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