De acordo com uma investigação da Reuters publicada na sexta-feira, a Nobitex, a principal exchange de cripto do Irã, com cerca de 11 milhões de usuários, foi fundada pelos irmãos Ali e Mohammad Kharrazi, integrantes de uma família com ligações próximas com os líderes supremos do Irã. Os irmãos registraram a empresa em 2018 com um sobrenome alternativo, enquanto outros parentes usavam publicamente o nome Kharrazi. O avô deles atuou na Assembleia de Especialistas, que seleciona o líder supremo do Irã, e o pai fundou a organização política iraniana Hezbollah e ajudou a preencher o quadro do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica após a revolução de 1979.
A Reuters documentou grandes fluxos de fundos ilícitos pela plataforma. A Elliptic identificou cerca de US$ 366 milhões em movimentações suspeitas, enquanto a Chainalysis estimou algo mais perto de US$ 68 milhões. Uma análise separada da Elliptic encontrou que carteiras controladas pelo Banco Central do Irã enviaram aproximadamente US$ 347 milhões para a Nobitex no primeiro semestre de 2025. Apesar de lidar com cerca de 70% da atividade cripto do Irã, a Nobitex não foi incluída nas sanções do Tesouro dos EUA anunciadas em 28 de abril, que miravam a infraestrutura bancária paralela do Irã. A Nobitex negou qualquer afiliação com o governo e caracterizou fundos ilícitos como uma “parcela muito pequena do volume total”.