A senadora Cynthia Lummis alertou, a 6 de maio de 2026, que atrasos no Digital Asset Market Clarity Act poderão levar as empresas de cripto, os programadores e o capital a sair dos Estados Unidos, de forma total. Segundo Lummis, “Por cada dia que atrasamos a Clarity Act, é um dia em que as empresas americanas consideram construir o seu futuro noutro lugar”. A declaração reflete uma preocupação crescente de que a incerteza regulatória esteja a empurrar os negócios de blockchain para mercados offshore, à medida que concorrentes como os Emirados Árabes Unidos, Singapura e Hong Kong prosseguem de forma agressiva a inovação em cripto.
Estado atual do Digital Asset Market Clarity Act
O Digital Asset Market Clarity Act foi aprovado na Câmara com apoio bipartidário, em 2025, numa votação de 294-134. O projeto foi subsequentemente remetido ao Senado para a Comissão de Banca, onde continua em análise. As negociações recentes abordaram um ponto de bloqueio importante: regras de rendimento em stablecoins. Os legisladores chegaram a um compromisso que permite recompensas cripto baseadas em atividade, ao mesmo tempo que restringe produtos passivos de rendimento de stablecoins, em formato “bancário”. Este acordo removeu um obstáculo relevante à aprovação. As discussões de “markup” no Senado deverão agora avançar em maio de 2026, embora ainda sejam possíveis atrasos. De acordo com a fonte, o timing é crucial—se a movimentação no Senado voltar a atrasar, o projeto pode enfrentar complicações políticas crescentes à medida que se aproxima o ciclo do midterm de 2026.
Enquadramento regulatório e divisão de jurisdição
O projeto pretende lidar com a incerteza regulatória criando uma divisão mais clara de autoridade entre a SEC e a CFTC. Ao abrigo da proposta, a CFTC ficaria responsável pelas “commodities digitais” descentralizadas, enquanto a SEC continuaria a regular as ofertas de cripto relacionadas com valores mobiliários. Sistemas maduros de blockchain poderiam, eventualmente, transitar para enquadramentos de supervisão mais leves, e bolsas e corretores receberiam vias de registo definidas. O projeto inclui ainda proteções para programadores não custodiais e para criadores de software DeFi—uma disposição importante porque muitas empresas de cripto apontam a regulação por via do enforcement como um obstáculo ao planeamento a longo prazo nos EUA.
Implicações competitivas para investidores e programadores
Para os investidores, a clareza regulatória poderia trazer benefícios substanciais: maior participação institucional, melhor acesso a custódia, normas de conformidade mais claras para bolsas e liquidez aprimorada no mercado secundário. Uma supervisão mais forte poderia também reduzir a incerteza sobre quais tokens enfrentam riscos de enforcement. Para os programadores, as apostas são potencialmente mais elevadas. O enquadramento proposto cria possíveis “safe harbors” para projetos descentralizados e não custodiais, o que poderia incentivar o desenvolvimento de infraestruturas de blockchain e de DeFi dentro dos EUA, em vez de no estrangeiro. No entanto, atrasos contínuos produzem o efeito oposto—os criadores podem optar por jurisdições com enquadramentos regulatórios que se movem mais rapidamente e com menor incerteza legal.
A questão de política mais ampla
O debate sobre o Digital Asset Market Clarity Act tornou-se um teste à questão de saber se os EUA querem liderar a próxima fase das finanças digitais ou responder mais tarde. Os críticos levantam preocupações de que partes do projeto favorecem grandes instituições e aumentam os encargos de conformidade, enquanto outros defendem que o enquadramento continua incompleto sem legislação mais ampla para stablecoins. A mensagem de Lummis sublinha que, quanto mais tempo o Congresso esperar, maior o risco de a inovação em cripto, os empregos e o capital migrarem para outros lugares. Numa indústria global que se move rapidamente, o próprio atraso pode vir a tornar-se a mais significativa decisão regulatória de todas.