FMI alerta: a stablecoin do Brasil já ultrapassou os canais tradicionais de gestão de dinheiro; a BIND contorna a proibição do banco central

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Key Takeaways
  • A avaliação do FMI sobre a estabilidade do sistema financeiro do Brasil, de Jul, alerta que as stablecoins ultrapassaram os canais tradicionais como principal método de fluxos transfronteiriços de capital.
  • A procura por stablecoins correlaciona-se significativamente com o S&P 500, a volatilidade do VIX, o preço do Bitcoin, as taxas de câmbio, as taxas de juro e as alterações à política fiscal.
  • O Grupo BIND e o Grupo Peterson promovem as stablecoins indexadas ao peso através de subsidiárias para contornar a proibição do banco central da Argentina desde maio de 2022.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) indicou, no relatório de avaliação da estabilidade do sistema financeiro do Brasil de julho, que, desde 2017, o volume de utilização de criptomoedas (sobretudo stablecoins) cresceu de forma estável e já ultrapassou os canais tradicionais, tornando-se na principal via para fluxos transfronteiriços de entrada e saída de fundos no Brasil. Ao mesmo tempo, o grupo BIND da Argentina e o grupo Peterson estão a avançar com stablecoins de peso argentino através de subsidiárias, contornando a proibição do Banco Central da Argentina desde maio de 2022.

Relatório de avaliação do FMI no Brasil: stablecoins ultrapassam canais tradicionais e aponta quatro lacunas de supervisão

De acordo com o relatório de avaliação da estabilidade do sistema financeiro do Brasil divulgado este mês pelo FMI (o primeiro desde 2018), a procura por stablecoins apresenta correlação com indicadores como o índice S&P 500, o índice de volatilidade VIX, o preço do Bitcoin, as mudanças na taxa de câmbio, nas taxas de juro e nas políticas fiscais; o FMI afirma que estas conclusões mostram que a «transformação dos ativos digitais já ganhou lugar na estrutura económica mais ampla do Brasil».

O FMI aponta também as quatro lacunas regulamentares seguintes

· Falta de proteção legal para os utilizadores

· Normas pouco claras para o tratamento de ativos em custódia

· Deficiências nas regras de viagem

· Atraso nos padrões de rastreio de transferências de fundos e de combate à lavagem de dinheiro

O Congresso do Brasil já está a trabalhar em legislação para dar resposta: o projeto de lei n.º 4308/2024 deverá definir claramente os limites legais das stablecoins, mas, atualmente, existe pressão interna contra a sua classificação como moeda eletrónica.

BIND na Argentina contorna a proibição do Banco Central de 2022 através de subsidiárias

Segundo o relato do Iproup, o grupo BIND da Argentina (BIND Banco Industrial) está a estabelecer, através de um fornecedor interno de serviços de ativos virtuais, BEN, uma moeda estável de peso argentino, com o objetivo de servir clientes institucionais (para gestão de tesouraria, pagamentos acionados por eventos on-chain e empréstimos com garantia); mais cedo neste mês, a BIND já chegou a um acordo com a Circle para prestar serviços a clientes institucionais. O grupo Peterson, por sua vez, está a promover um produto independente DIPE, apoiado pela empresa de criptomoedas como serviço Lirium, com o white paper já publicado.

Ambos os grupos recorrem ao modelo de subsidiárias, porque o Banco Central da Argentina proibiu, desde maio de 2022, que os bancos privados fornecessem diretamente serviços de criptomoedas. De acordo com o relato, o Banco Central da Argentina está a considerar levantar a proibição, mas o panorama ainda é incerto; anteriormente, a autoridade de supervisão do mercado de valores mobiliários da Argentina tinha proibido transações com a stablecoin argt peso, com o fundamento de que se trata de um ativo do mercado financeiro sem análise de conformidade.

Perguntas frequentes

Quais são as principais conclusões do FMI no relatório do Brasil sobre stablecoins?

Com base no relatório de avaliação da estabilidade do sistema financeiro do Brasil divulgado este mês pelo FMI, desde 2017 o uso de stablecoins tem crescido de forma estável e já ultrapassou os canais tradicionais, tornando-se na principal forma de movimentação transfronteiriça de fundos no Brasil; o FMI também destaca quatro lacunas de supervisão e indica que é necessário que as entidades reguladoras do Brasil partilhem obrigações de reporte com pares internacionais.

Qual é o objetivo do plano de stablecoins de peso argentino do BIND e do grupo Peterson?

Segundo o relato do Iproup, o grupo BIND estabelece, através da sua BEN, uma stablecoin de peso (em simultâneo com uma cooperação com a Circle); o grupo Peterson, por sua vez, promove o produto DIPE (apoiado pela Lirium). Ambos são feitos através de subsidiárias, para contornar a proibição do Banco Central da Argentina desde maio de 2022.

Qual é a dimensão do mercado de stablecoins na América Latina?

De acordo com dados da câmara de comércio digital, em 2025 o volume de transações de stablecoins na América Latina atingiu 324 mil milhões de dólares (um aumento homólogo de 89%); as stablecoins representam mais de 90% das transações cripto no Brasil e mais de 60% na Argentina; 71% das entidades institucionais na América Latina utilizam stablecoins para pagamentos transfronteiriços, a maior proporção a nível global.

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